Fazenda atrasa subsídio, Petrobras reduz ritmo de importação e choque do diesel volta a pressionar região Sul

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16/09/2026
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EIXOS

A Petrobras reduziu o ritmo das importações de diesel em setembro, em meio à disparada dos preços internacionais, e não está atendendo toda a demanda das distribuidoras, que voltaram a  concentrar os pedidos na estatal.

A restrição de volumes voltou a apertar o abastecimento no Rio Grande do Sul, na abertura do plantio da safra de verão.

O cenário se agravou enquanto o governo demora para regulamentar o subsídio adicional de R$ 1 por litro do diesel, anunciado na quarta (9/9).

A portaria da Fazenda que fixa valor e prazo do benefício ainda não foi publicada – o ministério diz que ela “deve sair até o fim desta semana” – e a Petrobras aguarda os atos para reajustar o combustível.

Dados obtidos com exclusividade pelo eixos PRO mostram que a Petrobras foi a maior importadora de diesel S10 do país desde março, com 1,86 milhão de m³, cerca de um quarto do total informado pelos agentes. 

O problema é a oscilação: o volume importado pela estatal sobe e desce acompanhando os preços internacionais e o entra e sai dos subsídios. Foram 251 mil m³ em março, 80 mil em maio, 475 mil em julho, 850 mil em agosto e 205 mil até segunda (14/9).

Procurada, a Petrobras defende que o volume que importa é o que o mercado precisa e que não responde sozinha pelo abastecimento do país.

A companhia afirmou que, “para setembro e outubro, está prevista a importação de diesel em volumes compatíveis com a demanda, considerando a sazonalidade típica do período, influenciada, entre outros fatores, pelo escoamento das safras”, e que “o mercado nacional também é atendido por outros agentes, como distribuidores, importadores e outros produtores, que complementam a oferta de combustíveis”.

Disparada dos preços agrava defasagem 

Em abril, a estatal já havia avisado ao governo que não importaria diesel para maio, com o argumento de que não responde por todo o abastecimento nacional. Na época, distribuidoras e importadoras ocuparam o espaço repassando ao mercado o preço de paridade de importação (PPI) integral. 

A defasagem não é novidade: em maio ela já existia, mas estava mais bem coberta pela subvenção. Desde junho, o PPI subiu R$ 2,06 por litro e o subsídio ficou parado em R$ 1,12; o R$ 1 adicional que cobriria parte da diferença ainda não vale. 

Pelo PPI da Abicom/StoneX desta terça (15/9), o diesel nas refinarias nacionais está R$ 3,15 por litro abaixo da paridade de importação, na média, e R$ 3,57 nos piores polos, com o Brent acima de US$ 107 por barril. A janela de importação estaria fechada há 245 dias, não fossem os subsídios. A Petrobras não mexe no preço do diesel desde 1º de julho, quando reduziu R$ 0,35 por litro.

Há quem encontre espaço para importar com repasse integral do preço, sem recorrer à subvenção. Desde março, os agentes privados trouxeram cerca de 5,6 milhões de m³ de diesel S10, três quartos do total informado. 

A Petrobras conseguiu mitigar o choque no Brasil provocado pela guerra dos EUA contra o Irã foi mitigado pois já vinha elevando o uso das refinarias. O fator de utilização do parque da estatal foi recorde no segundo trimestre, com média de 101,2%, e as importações de diesel da companhia caíram 85,2% em relação ao mesmo período de 2025, para 18 mil barris por dia, mesmo com alta de 3% nas vendas do combustível. 

Contudo, as refinarias não dão conta de toda a demanda nacional, mas atendem mais do que no passado recente. A Petrobras tem informado ao mercado que os volumes que pretende disponibilizar são comunicados com antecedência aos distribuidores e que cabe a eles planejar o suprimento complementar, inclusive por importação.

Demanda junto à Petrobras dispara

Nos polos de Canoas e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, os pedidos das distribuidoras à Petrobras entre junho e agosto cresceram 40,7% em relação ao mesmo período de 2025, para 2,38 milhões de m³ de gasolina A, diesel S10 e diesel S500. Os volumes aprovados pela estatal cresceram 12,9%, para 1,86 milhão de m³. Em 2025, a Petrobras aprovava praticamente tudo o que era pedido; em 2026, aprova cerca de 78%.

Em setembro, o mercado pediu 356,5 mil m³ de S10 e a Petrobras atendeu até o momento 260 mil m³, 73% do volume. No S500, os pedidos somam 136,7 mil m³ e a estatal atende 106 mil m³, 78%. As aprovações de S10 subiram 18,9% em relação a junho-agosto de 2025, de 684,6 mil para 814 mil m³; os pedidos subiram 39,7%.

Nesses cenários, a companhia costumava recorrer aos leilões, modalidade de venda em que amplia a oferta ao mercado mediante concorrência, fazendo que o litro do combustível saia mais caro das portas das refinarias. Quando fez isso com lotes de gás de cozinha, em abril, desencadeou uma crise que levou à queda do então diretor Claudio Schlosser.    

A estatal alega que os pedidos superam os volumes contratados e, em alguns casos, o próprio tamanho estimado do mercado, e por isso não atende às solicitações adicionais. 

Na nota, a companhia afirmou que “as entregas de diesel pelas refinarias da Petrobras seguem conforme o planejado e de acordo com os compromissos comerciais vigentes” e que “está cumprindo integralmente suas obrigações junto às distribuidoras, entregando todo o volume contratado”.

A Petrobras disse ainda que “não comenta análises ou posicionamentos de outros agentes de mercado” e que reafirma “seu compromisso com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, em consonância com sua estratégia comercial”.

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