Abastecer pesa mais no Nordeste, com diesel em alta e gasolina entre as mais caras

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MOVIMENTO ECONÔMICO

Veloe/Fipe aponta que abastecer um tanque de 55 litros consome 9,6% da renda domiciliar no Nordeste, maior peso do país

Abastecer o carro ou a frota de veículos de empresas que ficam no Nordeste tem sido um desafio para famílias e empresas ao longo dos últimos 12 meses. Um levantamento realizado pela Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) aponta que a gasolina e o diesel foram os combustíveis que mais sofreram aumentos na região. Encher um tanque de 55 litros com gasolina comum, por exemplo, compromete 9,6% da renda domiciliar no Nordeste, maior percentual entre as cinco regiões.

O diesel foi o combustível com maior pressão nos preços em 2026, segundo o levantamento Veloe/Fipe. No diesel comum, os nove estados nordestinos acumulavam em agosto aumentos superiores aos 10,3% registrados na média brasileira em 2026.

Sergipe aparece com a maior alta na região, com 19,3%, seguido por Piauí (18,1%), Rio Grande do Norte (17,7%), Ceará (17,3%), Pernambuco (17,1%), Bahia (17%), Maranhão (16,5%), Paraíba (15,6%) e Alagoas (12,9%).

O levantamento apontou que no diesel S-10 o Nordeste também registrou aumento. Enquanto a alta nacional foi de 12,4% no ano, a Bahia acumulou aumento de 20,6%, seguida pelo Rio Grande do Norte (19,4%), Piauí (19%), Maranhão (18,5%), Ceará (18,4%), Paraíba (17,1%), Sergipe (16,6%), Pernambuco (16,2%) e Alagoas (15,7%).

No mês de setembro, alguns estados da região continuaram entre os maiores preços do país. No diesel comum, o Piauí registrou média de R$ 7,464 por litro, a Bahia, de R$ 7,359, e o Ceará, de R$ 7,315, todos acima da média nacional de R$ 6,877. Entre as capitais, Salvador chegou a R$ 7,564 por litro, Teresina a R$ 7,502 e Natal a R$ 7,275.

A atualização mensal também mostra movimentos de alta acima da média brasileira em alguns mercados. O preço do diesel comum subiu 3,2% na Bahia e 2,9% em Alagoas entre agosto e setembro, ante avanço nacional de 1,9%. Em Salvador, a alta foi de 2,7%.

No diesel S-10, o Piauí aparece entre os maiores preços estaduais em setembro, com R$ 7,549 por litro, seguido pela Bahia, com R$ 7,493. Teresina registrou média de R$ 7,651.

Sergipe teve aumento mensal de 3,1% no S-10, acima dos 2,2% observados na média do país. Em Aracaju, a variação chegou a 6%.

Gasolina continua entre as mais caras no Nordeste

A gasolina comum também permanece em patamar elevado na região. Em agosto, o levantamento apontou que o preço médio no Nordeste era de R$ 6,960 por litro, segundo maior entre as cinco regiões e abaixo apenas do Norte, com R$ 7,130. A gasolina acumulou alta de 11,2% no Nordeste em 2026, ante 6% na média brasileira.

Já no mês de setembro, a média nordestina recuou para R$ 6,893 por litro, mas continuou sendo a segunda maior do país. A média nacional ficou em R$ 6,638.

Sergipe também registrou em setembro um dos maiores preços da gasolina comum, R$ 7,210 por litro, enquanto a Paraíba figurou entre os menores valores, com R$ 6,505. Nas capitais, Aracaju registrou média de R$ 7,314, contra R$ 6,389 em João Pessoa, uma diferença de R$ 0,925 por litro.

O comportamento mensal também não foi uniforme. Enquanto a gasolina comum subiu 1,1% no Ceará e 1% no Rio Grande do Norte, caiu 0,9% em Pernambuco, 1,2% no Maranhão, 1,3% na Paraíba e 2,5% na Bahia.

Abastecimento consome parcela maior da renda no Nordeste

Um dado importante apresentado pela Veloe e pela Fipe é o peso dos combustíveis no orçamento familiar na região. O indicador é calculado pela Fipe a partir do valor necessário para abastecer um tanque de 55 litros com gasolina comum. No Nordeste a despesa corresponde a 9,6% da renda domiciliar, maior percentual entre as cinco regiões.

Na média nacional, o abastecimento representa 6,1% da renda. O percentual é de 8% no Norte, 5,1% no Sudeste, 5% no Sul e 4,9% no Centro-Oeste. O indicador tem como referência o segundo trimestre de 2026.

GNV vai de R$ 4,33 a R$ 5,55 entre estados pesquisados

O Gás Natural Veicular (GNV) também apresenta diferenças relevantes entre os mercados nordestinos acompanhados pelo levantamento. Em setembro, o Ceará aparece com preço médio de R$ 5,550 por metro cúbico, acima da média nacional de R$ 5,007.

A Paraíba registrou R$ 5,249 e o Rio Grande do Norte, R$ 5,099. Entre os valores mais baixos destacados estão Pernambuco, com R$ 4,789, e Alagoas, com R$ 4,334. Nas capitais, Fortaleza apresentou média de R$ 5,550 por m³, enquanto Maceió registrou R$ 4,390 e Salvador, R$ 4,738.

A Bahia, embora esteja entre os mercados com preços mais baixos destacados na comparação, apresentou uma das maiores variações entre agosto e setembro: alta de 9,7% no estado e de 14,9% em Salvador. No Ceará, o preço ficou estável no mês, assim como em Fortaleza. A média nacional do GNV avançou 2,2%.

Etanol cai no Nordeste, mas vantagem frente à gasolina é restrita

O etanol apresenta um movimento diferente dos derivados de petróleo. Apesar da alta de 2,4% no preço nacional em setembro, o combustível ainda acumula queda de 7,3% em 2026 e de 4,1% nos últimos 12 meses, sendo o único dos seis produtos monitorados a registrar redução nos dois períodos. O Nordeste também foi a única região onde o etanol ficou mais barato entre agosto e setembro, com queda de 1,4%.

Mesmo assim, os preços permanecem elevados em parte da região. Entre os maiores valores estaduais registrados em setembro aparecem Sergipe, com R$ 5,461 por litro, Rio Grande do Norte, com R$ 5,335, Ceará, com R$ 5,262, e Maranhão, com R$ 5,248. A média nacional foi de R$ 4,148.

A diferença também aparece na escolha entre etanol e gasolina para veículos flex. Pelo parâmetro de 70% adotado pelo Monitor, o etanol apresentou melhor custo-benefício na Bahia em setembro, onde seu preço correspondia a 68% do valor da gasolina comum.

Já a gasolina permaneceu mais vantajosa em estados como Maranhão, onde a relação chegou a 78,4%, Rio Grande do Norte, com 77,7%, Sergipe, com 75,9%, e Alagoas, com 75,5%.

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