Valor Econômico
Era 2003, quase 20 anos atrás, quando Elon Musk fundou a Tesla, a empresa americana que foi uma das responsáveis por revolucionar e transformar a indústria automobilística em todo o mundo, empurrando as grandes fabricantes para o desenvolvimento de modelos elétricos. Recentemente, os Estados Unidos atingiram um ponto de inflexão ao atingir a marca de 5% da frota movida a eletricidade, seguindo a marca já atingida na Europa e na Ásia. Estudo da Bloomberg mostra que se os EUA seguirem a tendência já verificada em outros países, até o fim de 2025, um quarto da venda de carros novos será de elétricos.
Mas no Brasil, a indústria de combustíveis parece não acreditar que o país vai seguir a velocidade dos passos americanos, europeus e chineses. Os carros elétricos representam apenas 0,23% de toda a frota de veículos brasileira. As apostas são de que por ser um país tão movido a biocombustível, que já é mais sustentável, o mercado de carros elétricos vai demorar um pouco mais a se estabelecer.
A vice-presidente de estratégia e sustentabilidade da Raízen, Paula Kovarsky, ainda aponta mais um empecilho: o poder aquisitivo. Os carros elétricos são mais caros do que à combustão. Mesmo os modelos elétricos mais baratos custam R$ 70 mil a mais do que carros tradicionais. “Vamos ver um cenário de eletrificação mais lento”.
Mesmo a Vibra que está investindo em corredores elétricos, com 9 mil quilômetros de estrada com recarregadores capazes de carregar 80% da bateria em 20 minutos, entende que a adoção dos carros elétricos será mais gradual no Brasil. “O Brasil já tem uma matriz energética mais limpa. Mais de 80% da energia elétrica está concentrada em renováveis. No combustível, o etanol é usado em larga escala. Cerca de 70% da frota de automóveis é flex. A gasolina contém 27% de etanol, o diesel cerca de 10%. Isso influencia a eletrificação das frotas”, disse o vice-presidente executivo de B2B da Vibra, Bernardo Dos Winik.