Adoção de veículos elétricos e híbridos já afeta demanda por combustíveis no país

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Valor Econômico

O avanço acelerado nas vendas de veículos elétricos no Brasil começa a afetar a demanda por gasolina e etanol, tendência que deve se acentuar nas próximas duas décadas, segundo estimativas de especialistas. Estudo do Citi indica que, no ano passado, 700 milhões de litros de combustíveis – álcool e gasolina, mais especificamente – deixaram de ser consumidos no país devido à utilização de veículos eletrificados (elétricos e híbridos). O montante equivale a 1% da demanda doméstica em 2025.

A mudança é estrutural e de longo prazo, sustenta o Citi. Com base numa projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 1,8% para o biênio 2025-2026, o banco prevê que o consumo de combustíveis do chamado ciclo Otto – categoria que abrange etanol e gasolina – deve aumentar a uma taxa próxima de 120% do PIB. Já a partir de 2027, a tendência deve se inverter, com a demanda encolhendo enquanto o PIB se expande.

Numa linha similar, cenários traçados pela organização não governamental ICCT Brasil também apontam para uma redução gradual no consumo de combustíveis até 2050, mesmo num contexto de eletrificação moderada da frota.“Em todos os estudos que fizemos, a gente cai nesse lugar [de diminuição da demanda por combustíveis]. Porque, quanto mais tiver penetração de elétrico, o consumo vai ser reduzido”, afirma Marcel Martin, diretor-geral do ICCT Brasil.

Ainda modesta em termos agregados, essa erosão na demanda por etanol e gasolina tende a se acelerar no Brasil, afirma o Citi. No cenário mais provável traçado pelo banco, o volume de etanol e gasolina “deslocado” – aquele que deixou de ser consumido em função do uso de carros elétricos e híbridos – alcança 5 bilhões de litros em 2030, o equivalente a 8% da demanda real. Já em 2040, esse percentual sobe para 14% (9 bilhões de litros).

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