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Roteiro da Alemanha aposta na eletrificaçao com renováveis para substituir combustíveis fósseis, e na conversão de usinas a gás para hidrogênio
O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, apresentou nesta quarta (23/9) o roteiro que o país pretende seguir para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis de sua matriz.
O mapa do caminho (.pdf) foi apresentado em Nova York (EUA), onde ocorre a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
O foco está no aumento do uso de energias renováveis para a geração de eletricidade e na eletrificação da mobilidade, do aquecimento e dos processos industriais.
Segundo o governo alemão, a intenção do seu roteiro também é incentivar o maior número possível de países a finalizar seus respectivos planos.
A pressão internacional por mapas do caminho para essa transição se intensificou em 2025, quando o Brasil sediou a COP30, no Pará, e o presidente Lula (PT) fez um chamado aos países para que elaborassem roteiros indicando como poderiam reduzir a dependência doméstica de petróleo, gás natural e carvão.
A Alemanha é o terceiro país a formalizar um plano para cumprir o combinado na COP28, em 2023: a transição para longe dos combustíveis fósseis.
A França foi a primeira a entregar o roteiro, em abril, durante a conferência de Santa Marta, na Colômbia, o primeiro evento internacional da ONU dedicado ao assunto.
Os Países Baixos, que copresidiram a cúpula na Colômbia, foram o segundo, em 15 de setembro, no seu tradicional Dia do Orçamento.
O plano, no entanto, começa com um aviso de que a economia holandesa “ainda não pode prescindir dos combustíveis fósseis para gerar energia”, e que a intenção do governo é fazer a transição passo a passo, até chegar a 2050 utilizando apenas energia proveniente de fontes sustentáveis. (Dutch Brief)diálogos da transiçãoMapa do caminho: 46 países têm algum plano para descarbonizar energia
Com derivados de petróleo respondendo por 36% do consumo de energia, seguidos por gás natural (24%) e carvão (5%), o roteiro da Alemanha aposta em tecnologias elétricas, como carros elétricos e bombas de calor para reduzir a dependência de fósseis e, consequentemente, emissões.
“Até 2045, a Alemanha será neutra em carbono e capaz de operar de forma eficiente e economicamente viável, sem depender de combustíveis fósseis”, afirma o governo.
Para isso, a participação de renováveis no consumo bruto de eletricidade precisa saltar dos cerca de 55% para pelo menos 80% até 2030, segundo o plano. Esse crescimento é acompanhado pela eliminação gradual do carvão até 2038, no máximo, e pela expansão da rede elétrica.
Já as termelétricas a gás natural serão convertidas para hidrogênio verde. A expectativa é que até 2045 o parque de usinas seja neutro em carbono, sem combustíveis fósseis. O roteiro aposta no Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia para financiar essa transição.diálogos da transiçãoÍndia e Alemanha ajustam rota climática
Esta semana, também na ONU, o presidente Lula, que busca reeleição em outubro, disse que o Brasil, sob sua gestão, levará adiante o mapa do caminho para descarbonização da economia brasileira, ao mesmo tempo em que comemorou a autossuficiência doméstica na produção de petróleo e reafirmou que continuará pesquisando o potencial de novas reservas, citando a Margem Equatorial.
As diretrizes para o roteiro mencionado, no entanto, estão atrasadas. Chegaram a entrar na pauta de uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) convocada para setembro, mas o encontro foi cancelado.