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Valor Econômico

Os resultados financeiros da Petrobras, no primeiro trimestre de 2021, devem refletir os efeitos positivos da alta nos preços do barril de petróleo. Segundo levantamento do Valor com base nas projeções de três bancos (Itaú BBA, J.P. Morgan e BTG Pactual), a companhia deve registrar receita líquida de R$ 97,18 bilhões no período de janeiro a março, com alta de 28,7% em relação ao primeiro trimestre de 2020. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) médio das três instituições é de R$ 47,66 bilhões, aumento de 27% na comparação anual. O lucro, também na média, ficou em R$ 4,3 bilhões, frente ao prejuízo de R$ 48,52 bilhões nos três primeiros meses de 2020, quando a estatal registrou o maior prejuízo em um trimestre.

A melhora nos resultados da Petrobras no primeiro trimestre de 2021 deve refletir a menor volatilidade nos preços do petróleo no mercado internacional, além da contínua redução de custos da companhia e o bom desempenho operacional na exploração e produção e no refino. São fatores que combinados ajudam a impulsionar a geração de caixa. A Petrobras divulga os resultados hoje depois do fechamento do mercado.

A alta dos números esperada para o trimestre se dá sobre base de comparação mais fraca. O início de 2020 foi marcado pela queda na commodity devido a tensões geopolíticas e ao início da pandemia de covid-19, enquanto nos primeiros meses de 2021 os preços subiram, impulsionados pelo avanço da vacinação para conter a crise. Segundo a XP, o preço do barril de petróleo tipo Brent no primeiro trimestre foi de US$ 61,30, comparado com US$ 50,80 no mesmo período em 2020. No primeiro trimestre do ano passado, a Petrobras registrou baixa contábil por perda no valor de ativos e investimentos de R$ 65,3 bilhões, o que levou ao prejuízo recorde.

Estimativas do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) mostram que a alta do barril e o avanço nas vendas de gasolina e diesel no mercado interno devem conseguir compensar, nos resultados dos três primeiros meses do ano, as quedas na produção e exportações de petróleo e derivados. O relatório de produção da estatal, publicado em abril, aponta que a produção média de óleo e gás caiu 4,8% no primeiro trimestre em relação ao igual período em 2020. As exportações recuaram 36,6% na mesma base de comparação. Apesar da redução, os dados foram melhores do que o esperado pelos analistas, pois paradas programadas para manutenção em plataformas haviam afetado a produção nos meses anteriores.

Segundo o Scotiabank, os números do primeiro trimestre podem indicar maiores volumes de produção para o restante do ano. O Credit Suisse também lembra que é positivo o aumento da participação do pré-sal, que chegou a 69% da produção total da petroleira no trimestre.

Com isso, para o BB Investimentos, a geração de caixa da companhia deve permitir um pagamento de dividendos mais expressivo a partir de 2023, mesmo sem considerar as vendas de ativos.

Por outro lado, a desvalorização do câmbio pode afetar os resultados contábeis da petroleira no primeiro trimestre, pois a dívida da companhia é atrelada ao dólar.

Fontes próximas à estatal disseram que a Petrobras manteve a trajetória de redução do endividamento nos primeiros meses do ano. O balanço do primeiro trimestre, entretanto, ainda não vai se beneficiar da recompra de títulos anunciada ao fim de março, operação de US$ 2,72 bilhões.

Os bancos também mostram que os resultados da companhia podem sofrer impacto negativo de descontos nos preços de combustíveis praticados pela estatal no mercado interno em relação aos preços internacionais.

Entre janeiro e março de 2021, os reajustes praticados pela Petrobras para os preços de venda nas refinarias acumularam alta de 35,11% no diesel e de 40,67% na gasolina. Ainda assim, para a XP, a Petrobras deve registrar, no primeiro trimestre, um desconto médio na paridade de importação de 9,5% para o diesel e 10,5% na gasolina.

Analistas destacam o bom desempenho operacional no refino, com taxa de utilização média das refinarias de 80% no período, em linha com o primeiro trimestre de 2020, apesar das paradas programadas para manutenção em quatro refinarias: Refap (RS), RPBC (SP), Regap (MG) e Reduc (RJ).

“Há dúvidas quanto à rentabilidade. Ao longo de 2020, para garantir volume de vendas, a Petrobras abriu mão do preço, realizando leilões de diesel e gasolina. Como o primeiro trimestre de 2021 foi mais fraco na demanda, possivelmente a empresa pode ter negociado [combustíveis] a preços mais baixos”, diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Ele afirma que este balanço ainda vai refletir a gestão de Roberto Castello Branco à frente da Petrobras, que teve como marca o foco na rentabilidade do setor de exploração e produção.

O anúncio dos resultados também será marcado pela expectativa sobre os primeiros posicionamentos do general Joaquim Silva e Luna como presidente da estatal e da nova diretoria da empresa, que assumiu junto com o novo presidente, em abril. A troca na presidência da companhia foi anunciada em fevereiro, após críticas do presidente Jair Bolsonaro aos reajustes nos combustíveis.

Em relatório, o Goldman Sachs afirmou que o foco dos investidores na divulgação do balanço vai estar nas indicações das primeiras medidas da nova administração.

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