Fonte: Globo.com / Míriam Leitão
Há uma grande oportunidade para o pré-sal brasileiro neste momento e isso é que faz com que empresas do mundo inteiro estejam interessadas no leilão desta sexta-feira.
A cotação do petróleo deve continuar subindo. A Venezuela que vendia três milhões de barris dia, continua reduzindo sua produção que será de apenas um milhão no ano que vem. O Irã, depois das sanções americanas, tem produzido cada vez menos porque os estados unidos retaliam quem compra daquele país.
A Opep aceitou continuar a política defendida pela Arábia Saudita de forçar os preços para cima.
O pré-sal brasileiro é considerado uma área muito competitiva. O governo Temer retirou obstáculos que estavam desanimando os investidores. Um deles é que no governo passado, a Petrobras era obrigada a ser operadora de todos os campos. Isso era ruim até para a estatal que não podia escolher para se ter ideia, ela só vai participar de um dos quatro blocos em disputa. O outro motivo era que o nível de conteúdo nacional exigido na compra de equipamentos não estava sendo cumprida nem pela Petrobras porque encarece o investimento e nem sempre é possível encontrar aqui as partes. Foi reduzido o nível de conteúdo local. Isso elevou o interesse nesse último leilão antes das eleições uma dúvida continua: como vai ser a política do próximo governo para o setor de petróleo? Há candidatos falando em tomar campos licitados, outros em voltar às regras anteriores. Apesar desse ruído o que eu ouvi no setor foi o seguinte: as petrolíferas querem garantir espaço na exploração de petróleo do pre-sal brasileiro. O desembolso inicial é até pequeno perto do custo do investimento para o desenvolvimento dos campos. Nesse meio tempo elas acompanharão a evolução do quadro político brasileiro. Se o novo governo mudar as regras para pior elas reavaliam e podem devolver os campos. Do contrário ficarão até porque são investidoras de longo prazo.
As empresas de petróleo no mundo inteiro estão se preparando para serem produtoras também de outras energias, porque a demanda de energia fóssil deve começar a cair a partir de dois mil e trinta.
A Petrobras está com sociedade com a total francesa e a Equinor noruguesa para produzir energia eólica e solar.
O país perdeu muito quando os governos Lula e Dilma suspenderam os leilões de 2008 a 2013. Se não houver retrocesso, o Brasil vai se consolidar como grande produtor de energia.