EIXOS
Reunião de diretoria da ANP terá definição sobre preço de referência do petróleo, base de cálculos para royalties, demanda do governo federal (desde 2022)
Em meio à crise orçamentária, precisando reduzir o horário de atendimento para economizar na conta de luz, a diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pautou para a reunião da próxima quinta-feira (24/7) temas há muito esperados pelos agentes regulados e pelo próprio governo.
O primeiro item da pauta é a revisão do preço de referência do petróleo, base de cálculo para o pagamento de royalties e participações especiais. O assunto tramita desde 2022 na agência, motivada por um decreto de Jair Bolsonaro.
Gasodutos. A ANP prevê publicar em outubro a nova resolução com os critérios de cálculo das tarifas de transporte e que toca em questões umbilicalmente ligadas às revisões tarifárias, como a definição da Receita Máxima Permitida (RMP) das transportadoras, a Base Regulatória de Ativos (BRA) e a Conta Regulatória.
O mercado conhecerá as propostas após a reunião, com a abertura de consulta e audiência públicas. A ANP decidiu dividir o escopo em dois: as tarifas diferenciadas (para térmicas, estocagem e o short-haul) serão tratadas em 2026.
Fim das formuladoras? Os diretores ainda discutem a suspensão cautelar da atividade de formulação de gasolina e diesel. O debate começou na esteira da revogação das atividades da Copape desde julho do ano passado, investigada por uma série de irregularidades no mercado de combustível.
Octanagem. ANP ainda pautou o aumento da octanagem da gasolina, tema que furou a fila na agenda regulatória a pedido do MME. É uma medida para aumentar a eficiência da gasolina comum, que passará a contar com a mistura obrigatória de 30% de etanol anidro a partir de 1º de agosto
Mudanças. Será também a última reunião da diretora substituta Mariana Cavadinha. Pelas regras do rodízio, seu mandato acaba na sexta-feira (25/7), quando a superintendente Patrícia Baran assume a diretoria 4 – cadeira que já ocupou entre fevereiro e julho de 2024.
Para a volta do recesso, em agosto, Davi Alcolumbre (União/AP) marcou as sabatinas e votações dos indicados do governo e dos partidos para as agências reguladoras. A ANP poderá, enfim, completar o colegiado com Pietro Mendes e Artur Watt, indicado como diretor-geral.
Etanol reage aos EUA. Em resposta à abertura de investigação, pelos Estados Unidos, sobre as práticas comerciais do Brasil, a Unica e a Bioenergia Brasil defenderam que o biocombustível brasileiro tem conformidade com critérios robustos e auditáveis de sustentabilidade, além de baixa intensidade de carbono.
Tarifaço. O vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin (PSB), teve na quinta (17/7), uma nova reunião com empresários sobre a tarifa de 50% anunciada pelos EUA sobre importação de produtos brasileiros.
Inflação aliviada por combustíveis… A queda no preço da gasolina, resultado do reajuste implementado da Petrobras para as distribuidoras, foi o principal fator que desacelerou a inflação ao consumidor medida pelo IGP-10 em julho, informou na quinta (17/7) a FGV. O IPC-10 arrefeceu a alta a 0,13%, depois de 0,28%.
Opinião. É a concorrência, e não a intervenção, que assegura preços justos, inovação e eficiência, escrevem os sócios da Aurum Tank, José Mauro Coelho e Guilherme Mercês.
Mas pressionada pela energia elétrica. O IPC-Fipe deve continuar pressionado para cima, devido à entrada da bandeira vermelha patamar 1 e do reajuste do preço de energia elétrica pela Enel SP. A avaliação é do analista técnico do IPC-Fipe, Marcelo Pereira.
Petróleo avança. O Brent para setembro avançou 1,46% (US$ 1) na quinta (17/7), a US$ 69,52 o barril. A demanda pela commodity, especialmente pelo verão no Hemisfério Norte, e a resiliência da atividade nos Estados Unidos oferecem suporte aos preços.
Transição do petróleo. A indústria do petróleo caminha, no futuro, para usos cada vez mais nobres da commodity, como a petroquímica, e para um momento de “consciência energética”, pautado num equilíbrio maior do debate sobre descarbonização, na visão do presidente da Abpip, Márcio Félix.
Gás para data centers. A construção de uma política pública para atrair investimentos em data centers não deve deixar fontes fósseis de lado, defende o vice-presidente da Siemens Energy para América Latina, André Clark. Segundo ele, o gás natural é “inexorável nesse jogo”.
Estocagem de gás em Alagoas. A Origem Energia espera colocar em operação comercial em 2026 o seu projeto de estocagem de gás natural em Alagoas, desenvolvido em parceria com a TAG.
R$ 5 bi para expansão elétrica no ES. A distribuidora EDP Espírito Santo firmou um novo contrato de concessão com validade de 30 anos e anunciou que pretende investir R$ 5 bilhões em expansão e modernização da rede elétrica no estado até 2030.
Resposta de demanda. O ONS negociou 229 MW no segundo leilão de resposta da demanda, realizado na quarta-feira (16/7). Na primeira edição, no ano passado, foram contratados 93 MW. O deságio máximo foi de 32,5%.
Troca na Eletronuclear. O diretor técnico da estatal nuclear, Sinval Zaidan Gama, assumirá a presidência de forma interina, acumulando as duas funções, depois que Raul Lycurgo Leite deixou a função na quarta (16/7).
Solar na Transpetro. Visando ampliar a descarbonização das operações, a Transpetro inaugurou na quinta (17/7) a segunda usina solar da empresa, no terminal de Belém (PA), cidade que sediará a COP30 em novembro. Os planos para aprofundar a redução de emissões incluem o mercado livre de energia. A companhia abriu uma chamada pública para sondar o mercado e identificar players interessados no mecanismo de autoprodução.