Aumento de preços do diesel, em maio, pode ser estopim para nova greve de caminhoneiros, diz Fecombustíveis

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Fecombustíveis

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) informa que enviou um ofício ao presidente Jair Bolsonaro, manifestando sua preocupação sobre os possíveis impactos que o preço do biodiesel terá na formação dos custos do óleo diesel, a partir de 1o de maio. Além disso, na mesma data, chegará ao fim a isenção do PIS/Cofins sobre o óleo diesel, podendo ser o estopim para nova greve dos caminhoneiros.
“Estamos fazendo um alerta ao governo sobre as altas de preços do diesel que estão por vir, principalmente com o retorno da cobrança do PIS/Cofins do diesel. Os postos não podem ser responsabilizados por estes aumentos”, disse Paulo Miranda Soares, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis).

De acordo com as projeções do setor, se for considerado o preço médio do biodiesel em torno de R$ 7,50/litro, conforme o leilão L79, interrompido pela ANP ontem (07), que definirá o custo do biocombustível para o bimestre maio/junho/2021, juntamente com o retorno do PIS/COFINS do diesel em 1o de maio, o impacto do preço do biodiesel na formação dos custos do óleo diesel será de R$ 0,67 por litro.

Atualmente, o teor da mistura do biodiesel ao diesel é de 13%. Desde o ano passado, o preço do biodiesel tem aumentado vertiginosamente e a Federação tem feito os alertas sobre o elevado impacto na formação dos custos do diesel para as distribuidoras. Vale lembrar que no penúltimo leilão da ANP, L78 (para o bimestre março/abril/2021), o preço médio de comercialização foi de R$ 4,71/litro, 56% mais caro em relação ao leilão do mesmo período no ano passado (março/abril-2020).

“O possível aumento nos preços do biodiesel, a partir de 1o de maio, somado ao retorno do PIS/Cofins pelo Governo Federal, significaria um aumento muito expressivo na formação dos custos do óleo diesel para o setor de distribuição que, costumeiramente, repassa esses aumentos encarecendo o custo de aquisição dos postos varejistas. Se isso ocorrer, muito provavelmente haverá um aumento no preço de pauta (Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final – PMPF) que os estados deverão implementar, gerando um duplo efeito de aumento dos custos na cadeia de comercialização do óleo diesel”, comentou Paulo Miranda.

A questão do sistema tributário no país é outro problema, que impacta no preço final ao consumidor. O PMPF é a base de cálculo do ICMS, que representa o preço de pauta. Ele é definido pelas Secretarias Estaduais de Fazenda a partir de pesquisas de preços realizadas pelas referidas entidades, com base em uma determinada amostra de postos revendedores. A cada 15 dias, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) divulga uma tabela atualizada com o valor apurado na quinzena anterior, que reflete as oscilações de preços dos combustíveis na bomba, causando uma retroalimentação dos aumentos de preços.
“A alta do biodiesel vai acabar refletindo em toda cadeia, inclusive na pesquisa do Confaz na bomba, o que resultará em mais elevações no ICMS em todo o país”, disse Paulo Miranda.

A Fecombustíveis ressalta que não interfere na formação dos preços de comercialização de combustíveis e que o mercado de combustíveis é livre e funciona de acordo com a interação dinâmica entre oferta e demanda agregadas. Cada empresário deve definir individualmente e livremente o seu preço de venda, que varia de acordo com diferentes fatores, tais como custos operacionais, estratégias comerciais, localização, concorrência, entre outros. A Fecombustíveis respeita e apoia a livre iniciativa e a livre concorrência e não compactua com nenhum tipo de interferência pública ou privada que tenha por objetivo a formação artificial dos preços de mercado.

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