Estudo aponta potencial de criação de mais de 225 mil empregos e redução de 30 milhões de toneladas nas emissões de carbono com a expansão do setor
Canal Rural
A expansão dos biocombustíveis no Brasil pode gerar R$ 400 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB), criar mais de 225 mil empregos e reduzir as emissões de carbono em 30 milhões de toneladas até 2035. As projeções foram apresentadas pelo CEO do Instituto Equilíbrio, Eduardo Bastos. O executivo participará do Fórum Planeta Campo 2026, marcado para 6 de novembro.
Os números são resultado de um estudo desenvolvido em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), que analisou os impactos econômicos e ambientais do cumprimento da meta de ampliar a produção de biocombustíveis para 64 bilhões de litros até 2035.
Segundo Bastos, a expansão do setor representa uma oportunidade para impulsionar o agronegócio brasileiro, ampliar a geração de empregos e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Ele ressaltou que as estimativas de redução de carbono foram calculadas de forma conservadora.
Recuperação de pastagens e produção
A recuperação de pastagens degradadas é apontada como uma das principais estratégias para conciliar o crescimento da produção de biocombustíveis com o uso sustentável da terra.
De acordo com Bastos, o Brasil possui mais de 100 milhões de hectares de pastagens já convertidas, parte das quais poderia retornar à produção. A proposta mencionada pelo executivo prevê a recuperação de pelo menos 40 milhões de hectares, com destinação de ao menos 30 milhões de hectares à produção de grãos.
Parte desses grãos pode ser utilizada como matéria-prima para a fabricação de biocombustíveis, ampliando a integração entre agricultura, pecuária e produção de energia.
O executivo também destacou o aproveitamento dos coprodutos gerados durante o processamento agrícola. Na produção de etanol de milho, por exemplo, o DDG (coproduto utilizado na alimentação animal) pode contribuir para o fornecimento de proteína ao setor pecuário. Na cadeia da soja, o farelo também desempenha papel importante na nutrição animal.
Essa integração permite agregar valor à produção agrícola, aproveitar melhor os recursos disponíveis e fortalecer diferentes segmentos do agronegócio.
Biocombustíveis como alternativa
Outro ponto destacado por Bastos é a dependência mundial do petróleo. Para ele, o Brasil tem a oportunidade de ampliar a participação das fontes renováveis na matriz energética sem precisar substituir integralmente os combustíveis fósseis.
A estratégia inclui aumentar a mistura de etanol à gasolina, ampliar o uso de biodiesel no diesel e desenvolver a utilização do biometano.
Na avaliação do executivo, a combinação dessas alternativas pode contribuir para a geração de riqueza, a criação de empregos e a redução das emissões associadas ao consumo de combustíveis.
O desafio, segundo ele, é consolidar esse modelo e demonstrar ao mercado internacional que é possível diversificar as fontes de energia e ampliar o uso de combustíveis renováveis mesmo em um cenário de forte dependência do petróleo.
Debate no Fórum Planeta Campo 2026
Os impactos econômicos e climáticos dos biocombustíveis estarão entre os temas discutidos no Fórum Planeta Campo 2026, programado para 6 de novembro.
A participação de Eduardo Bastos deve abordar as oportunidades de expansão do setor, a recuperação de áreas degradadas e o papel dos combustíveis renováveis no desenvolvimento econômico e ambiental do Brasil.