BR revisa negócios e avalia parcerias na rede de postos

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Fonte: Valor Econômico

Concluída sua abertura de capital, no fim de 2017, a BR Distribuidora se prepara neste ano para avançar na revisão de alguns dos seus negócios. A exemplo de sua controladora, a Petrobras, a distribuidora estrutura sua carteira de desinvestimentos, ao mesmo tempo em que busca parceiros para áreas estratégicas. Na área de lojas de conveniência, ao menos duas empresas, a americana 7-Eleven e a brasileira Lojas Americanas, já abriram conversas com a BR.
Segundo três fontes com conhecimento do assunto, a 7-Eleven, especializada em lojas de conveniência, já procurou a distribuidora para discutir uma parceria. A Lojas Americanas também tem interesse na rede, mas, nesse caso, o interesse é em uma aquisição da rede – o que demandaria uma segregação ("spin-off") dessa operação da BR.
Por preferir ser compradora e já ter engatado uma conversa com a BR, a Lojas Americanas chegou a recusar recentemente uma proposta de uma concorrente da BR, o grupo Ultra, dona da rede Ipiranga. O Valor apurou que, há dois meses, o Ultra procurou os controladores da varejista carioca, para compra da LASA, mas as conversas não foram avançaram.
Procuradas, 7-Eleven e Lojas Americanas não deram retorno. O grupo Ultra não comentou.
O diretor de rede de postos da BR Distribuidora, Marcelo Bragança, disse que a proposta do novo modelo de negócios da área de conveniência deve ser levada à deliberação do conselho de administração da companhia nos próximos meses.
"Seguimos trabalhando na análise de potenciais parceiros. Já há alguns acordos de confidencialidade assinados. Estamos na fase de contratação de um assessor financeiro que nos apoiar nas discussões daqui para frente. Já tivemos uma primeira discussão preliminar com a diretoria e conselho, mas precisamos avançar em alguns pontos", disse o executivo, em teleconferência com analistas.
Em 2017, a rede de conveniência da BR Distribuidora, a BR Mania, atingiu a marca de 1.348 lojas, mas ainda tem um tamanho aquém do potencial da marca BR, líder no mercado de distribuição de combustíveis. A empresa possui a segunda maior rede de lojas de conveniência, com 17,6% de participação na área, atrás da Ipiranga (28,3%), segundo os dados mais recentes da Associação Nacional das Distribuidoras de combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural), de 2016.
A expansão da rede de conveniência está em linha com a busca por melhorias na rentabilidade dos negócios da empresa. A venda de combustíveis, em si, trabalha com margens baixas. O que gera maior rentabilidade à atividade é a oferta de produtos e serviços adicionais que gera fluxo maior nos postos. O grupo Ultra, por exemplo, tem instalado farmácias da rede Extrafarma em seus postos Ipiranga em São Paulo e está testando também uma maior oferta de produtos nas lojas de conveniência.
Presidente da BR, Ivan de Sá, destacou ontem que a busca por melhorias na rentabilidade é, justamente, "um dos pilares do plano de negócios da empresa".
Em paralelo à busca por parceiros para a BR Mania, o diretor financeiro e de relações com investidores da distribuidora, Rafael Grisolia, disse que a companhia continua trabalhando na revisão de sua carteira de ativos. A empresa tem a intenção de se desfazer de alguns, dentre eles os negócios de asfaltos e a distribuidora de gás canalizado do Espírito Santo (BR-ES).
Grisolia disse que o ativo de asfaltos se trata de um negócio "interessante e com boa rentabilidade", mas que "não necessariamente faz parte da estratégia de longo prazo" da companhia. Ele também comentou que a BR está concluindo com o governo capixaba a criação de uma empresa mista de gás no Estado que permitirá à empresa, em seguida, vender o ativo.
A concessão da BR-ES, controlada 100% pela BR, era alvo de contestação por parte do governo capixaba, que em 2015 propôs a anulação do contrato. Em 2016, em meio à disputa, a BR e o governo estadual se comprometiam a unir esforços para criação de uma sociedade de economia mista.

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