Brasil amplia a fronteira do pré-sal e atrai petroleiras chinesas em sua maior licitação

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Brasil 247

(Xinhua) – O Brasil ampliou nesta quarta-feira sua fronteira de exploração de petróleo no pré-sal com a arrematação de sete dos 13 blocos oferecidos no maior ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, em um leilão que teve entre seus protagonistas as petroleiras chinesas CNOOC e Sinopec.

As sete áreas adjudicadas geraram R$ 530,5 milhões (US$ 102,8 milhões) em bônus de assinatura e preveem investimentos mínimos de R$ 778,4 milhões (US$ 150,9 milhões) durante a primeira fase de exploração.

Com o resultado, a área exploratória submetida ao regime de partilha aumentará 58%, chegando a 39.200 quilômetros quadrados, enquanto o número de blocos sob esse modelo passará de 13 para 22.

O bloco Jade, na Bacia de Santos, foi adjudicado a um consórcio formado pela CNOOC Petroleum, como operadora com 70% de participação, e pela Sinopec, com 30%. O grupo ofereceu entregar à União 18,2% do excedente de petróleo produzido.

A entrada das duas companhias chinesas ocorre em um momento em que o pré-sal concentra a maior parte da produção brasileira de hidrocarbonetos. Em setembro, os campos situados abaixo da camada de sal responderam por 82,6% de todo o petróleo e gás produzidos no Brasil.

Antes do início do leilão, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto, destacou justamente a dimensão estratégica dessas reservas.

O pré-sal continua sendo “uma das mais relevantes fronteiras exploratórias do mundo”, afirmou Watt Neto. “Temos que continuar trabalhando para ofertar blocos vizinhos às oportunidades identificadas”, acrescentou ele, também classificando o pré-sal como uma “grande riqueza que o país tem”.

A Petrobras arrematou outros dois blocos: Azurita, na Bacia de Campos, e Cruzeiro do Sul, na Bacia de Santos. A brasileira Prio Forte ficou com Magnetita e Hematita, enquanto a norueguesa Equinor obteve Rubi e, em parceria com a portuguesa Galp, Rodocrosita.

Um dos aspectos mais marcantes do resultado foi a ausência de concorrência direta. Nenhum dos sete blocos arrematados recebeu mais de uma oferta, apesar de 19 empresas estarem habilitadas para participar. Apenas seis apresentaram propostas e todas saíram vencedoras.

O resultado também não significa que as empresas já tenham confirmado novas reservas. A arrematação inicia a fase exploratória, durante a qual as empresas deverão investir e realizar estudos e perfurações para determinar o potencial efetivo de cada área.

Todas as ofertas vencedoras superaram os percentuais mínimos de excedente de óleo estabelecidos pela ANP. O ágio médio atingiu 108,38%, sendo o maior registrado no bloco Rodocrosita, com 494,64%.

Os seis blocos que não receberam ofertas ficaram de fora desta rodada e poderão ser incluídos novamente em leilões futuros.

A expansão do pré-sal ocorre em um momento em que o Brasil busca manter a produção de petróleo e gás nas próximas décadas e, ao mesmo tempo, avançar em sua transição energética. A entrada da CNOOC e da Sinopec reforça, ainda, a participação chinesa no setor brasileiro de hidrocarbonetos e amplia a cooperação empresarial entre os dois países em uma área estratégica.

Os contratos das áreas arrematadas deverão ser formalizados após as etapas de qualificação e homologação previstas pela ANP.

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