
Mobilidade Sampa
O mercado brasileiro de ônibus elétricos vive um momento histórico, com 1.827 veículos em circulação e crescimento recorde nos emplacamentos em 2026. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) indicam que a eletrificação das frotas deixou de ser restrita a projetos experimentais, integrando programas estruturados de renovação em várias cidades, impulsionando tecnologia, sustentabilidade e eficiência operacional.
Primeiro semestre registra crescimento histórico
Entre janeiro e junho de 2026, 589 ônibus elétricos receberam emplacamento, 92,5% a mais que as 306 unidades no mesmo período de 2025. Comparado ao primeiro semestre de 2024, com 127 veículos, o crescimento alcança 363,8%, mostrando a rápida evolução da mobilidade elétrica no país. Nos seis primeiros meses de 2026, licenciaram-se veículos equivalentes a 70% dos 844 ônibus elétricos emplacados em 2025.
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Grande parte desse avanço relaciona-se à entrega de 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal de São Paulo em junho, uma das maiores incorporações de veículos de emissão zero na América Latina. Com isso, a capital paulista conta com 1.759 ônibus eletrificados, entre modelos a bateria e trólebus.
Junho concentra recorde de entregas
O mês de junho marcou o setor com 278 novos ônibus elétricos emplacados, volume 717,6% superior ao de junho de 2025, quando 34 veículos foram licenciados. Em relação a junho de 2024, com nove unidades, o crescimento aproxima-se de 3.000%. Especialistas destacam que o segmento de ônibus apresenta oscilações mensais, pois os emplacamentos dependem de cronogramas de fabricação, contratos públicos, licitações e entregas em lotes. Por isso, o desempenho acumulado no semestre oferece visão mais consistente da evolução.
São Paulo concentra a maior frota nacional
Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Além de liderar os novos emplacamentos, São Paulo mantém-se como principal polo da eletromobilidade brasileira. Dados da ABVE indicam que o município reúne 1.412 ônibus elétricos, 77,29% da frota eletrificada do país. Em seguida aparecem Brasília (91 veículos), São Bernardo do Campo (58), Goiânia (50), Belém (42), Aracaju (30), Osasco (23) e Cariacica (15).
No primeiro semestre de 2026, o ranking de emplacamentos apresenta: São Paulo (429 unidades), Brasília (90), São Bernardo do Campo (19), Aracaju (15), Goiânia (15), Osasco (12), Confins (2), Itapevi (2), Rio de Janeiro (2), Curitiba (1), Nova Europa (1) e Santos (1). Os dados mostram que a eletrificação ainda ocorre concentrada em poucos municípios.
Sudeste domina o mercado brasileiro
A distribuição regional reforça o domínio do Sudeste, que concentra 85% dos ônibus elétricos no país. As demais regiões participam com: Centro-Oeste (7,72%), Sul (2,79%), Norte (2,41%) e Nordeste (2,08%). Nos emplacamentos do primeiro semestre de 2026, o Sudeste respondeu por 79,5% das novas unidades, impulsionado quase integralmente por São Paulo. Esse cenário indica que a expansão da eletromobilidade depende da entrada de novos municípios e políticas públicas para renovar frotas em diferentes regiões.
Indústria nacional responde por 80% da produção
O fortalecimento da indústria brasileira destaca-se com 476 dos 589 ônibus elétricos emplacados no primeiro semestre produzidos no Brasil, representando 80% do mercado. Os 113 veículos restantes (20%) foram importados. Nove fabricantes comercializaram 19 modelos, sendo cinco com produção nacional e quatro com veículos importados.
Eletra lidera os novos emplacamentos
A Eletra lidera as vendas no primeiro semestre de 2026, com 224 veículos, 38% do mercado. Em seguida aparecem Mercedes-Benz (113 unidades, 19,2%) e BYD (109 unidades, 18,5%). Esses números reforçam o protagonismo das fabricantes instaladas no Brasil na transição energética do transporte coletivo.
Eletra/Induscar domina a frota nacional
No estoque total de ônibus elétricos em circulação, o conjunto Eletra/Induscar lidera com 764 veículos, 41,82% de participação. O ranking segue com Mercedes-Benz (397, 21,73%), BYD (354, 19,38%), CRRC (91, 4,98%), Volkswagen Truck & Bus (75, 4,11%), Higer (62, 3,39%), Marcopolo (41, 2,24%), Volvo (25, 1,37%), Ankai (15, 0,82%), LVTong (2, 0,11%) e Agrale (1, 0,05%).
Família Millennium lidera entre os modelos
Os modelos da família Millennium permanecem os mais presentes na frota nacional. Os dez modelos com maior participação são: Eletra/Induscar Millennium EL U (263 unidades, 14,40%), Eletra/Induscar Millennium ES U (252, 13,79%), BYD/Induscar Millennium U (222, 12,15%), Mercedes-Benz/Induscar Millennium EL U (177, 9,69%), Eletra/Induscar Millennium EL U (113, 6,19%), Mercedes-Benz/Marcopolo Attivi E U (102, 5,58%), BYD Induscar Millennium E (91, 4,98%), CRRC TEG6130 BEV2 Pira (90, 4,93%), Eletra/Induscar Millennium EL A (61, 3,34%) e Mercedes-Benz/Marcopolo Attivi E U (59, 3,23%). Também aparecem modelos de Volkswagen, Higer, Volvo, Ankai, Marcopolo, Agrale e LVTong.
Mercado entra em uma nova fase
Os dados indicam amadurecimento da eletromobilidade no Brasil. Se antes os ônibus elétricos concentravam-se em projetos-piloto e operações experimentais, agora registram aquisições em larga escala, incorporando veículos de emissão zero às frotas municipais permanentemente. O próximo desafio envolve ampliar programas de financiamento, garantir previsibilidade nas compras públicas e estimular a eletrificação em cidades médias e municípios do interior, promovendo transformação equilibrada no território nacional.