Chance de greve como a de 2018 é zero, diz Tarcísio

Ministro orienta caminhoneiro a subir preço do frete
27/10/2021
Alta de preços motiva novos protestos no estado
27/10/2021
Mostrar tudo

Valor Econômico

A chance de haver no próximo dia 1º uma greve de caminhoneiros como a de 2018 é “zero, nenhuma, não vai ter”, afirma o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em vídeo que circula nos grupos de comunicação de caminhoneiros. A afirmação foi feita diante de um auditório. Empresários, no entanto, se dizem preocupados com o risco de uma repetição do que se viu há três anos.
O ministro avaliou, em sua fala, que a paralisação de 2018 tomou aquela proporção porque contou com a adesão das empresas de transporte, que fizeram “locaute, com apoio do agronegócio”. O objetivo, disse, era forçar a baixa do diesel. As consequências, acrescentou, foram ruins para as empresas, pois as transportadoras passaram a operar sob insegurança jurídica.
“Essa turma que financiou a greve de 2018 está fora”, comparou. Assim, o desafio que resta ao governo no dia 1º é evitar que haja bloqueios em rodovias. Se esses puderem ser evitados, a paralisação de “meia dúzia” de caminhoneiros autônomos terá efeito “zero”, comentou. Pesquisa da Fretebras mostrou que 54% dos caminhoneiros pretendem realmente parar as atividades em 1º de novembro.
O desbloqueio de rodovias tem sido feito com sucesso nas tentativas mais recentes de greve de caminhoneiros.
Tarcísio contou que, em suas conversas com os caminhoneiros, explica que há um problema de excesso de oferta. “É simples assim: alguém vai sair do mercado”, disse. “Duro, mas é assim.” Quando ouve queixas sobre a queda nos preços do frete, diz que seu “business”, como ministro da Infraestrutura, é baixar o frete e o custo Brasil.
Ele disse que “meia dúzia” de lideranças dos caminhoneiros tenta chamar greve “a cada duas semanas” e questionou o que ganharão com o movimento. Quando lhe respondem que é a baixa do preço do diesel, responde: “Vocês acham que vai baixar com a greve? Lamento, não vai”.
“Tentam aproveitar o que aconteceu em 2018”, afirma. “O que aconteceu em 2018 não vai acontecer tão cedo.”
Mas empresários estão apreensivos com a possibilidade de greve como a de três anos atrás. “Há preocupação porque o que vivenciamos em 2018 foi dramático. Isso se soma a um ambiente já tensionado pelo impacto da pandemia, em que empresas ainda estão machucadas, e de pautas que poderiam avançar de forma mais sistemática”, diz Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). “O preço dos combustíveis, por exemplo, poderia ser menor se tivéssemos moeda menos desvalorizada em parte por causa de ruídos políticos e econômicos.”
Ontem caminhoneiros bloquearam a rodovia BR-316, na região metropolitana de Belém. Dentre as reivindicações está a redução do ICMS cobrado sobre o diesel. O movimento ocorre menos de uma semana após paralisação de transportadoras de combustíveis em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, movimento que também tinha o ICMS em sua pauta.
“Estamos acompanhando com atenção pois uma greve pode ter consequências aos consumidores, no momento em que já enfrentamos grande problema de desorganização de cadeias”, diz Pablo Cesário, gerente de relacionamento da CNI com o Poder Executivo.
O ministro acrescentou em sua fala que os caminhoneiros contam com o apoio da imprensa, que “morde a isca” das lideranças e “fica tentando chamar a greve”, apostando no “tanto pior, melhor”. E interpretou o suposto pensamento dos jornalistas: “Eu não gosto do governo, então vou tentar derrubar o avião porque eu não gosto do piloto. Morre todo mundo.”
“Lamentável o que o ministro de Estado fala a respeito da nossa categoria e da imprensa brasileira”, comentou o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão.
Não é a primeira vez que a visão de Tarcísio sobre greves de caminhoneiros vem a público. Em fevereiro, foi divulgado um áudio com conteúdo semelhante.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *