Com trégua ameaçada no Oriente Médio, o que esperar do petróleo e dos preços dos combustíveis?

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O Globo

Depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o cessar-fogo provisório com o Irã chegou ao fim e ordenar novos ataques ao país dos aiatolás, a tensão voltou ao mercado financeiro ontem num aparente retrocesso dos acordos de paz dos últimos dias.

E o reflexo foi imediato no mercado de petróleo, que tem 25% da produção global naquela região do Oriente Médio. Com isso, voltam as pressões sobre os preços dos derivados do petróleo, como a gasolina e o óleo diesel.

Houve ataques dos EUA ao Irã no início da noite em retaliação a ataques do país persa a navios comerciais tentando cruzar o Estreito de Ormuz. O barril do tipo Brent (referência internacional) fechou em alta de 5,2%, aos US$ 78,02.

No Brasil, isso levou o governo do presidente Lula a avaliar o adiamento da reversão gradual dos subsídios para os combustíveis.

No mercado financeiro, os juros futuros subiram, enquanto o Ibovespa cedeu 0,79%, aos 170.653 pontos. O dólar chegou a subir, mas acabou fechando praticamente estável, com leve queda de 0,07%, aos R$ 5,14.

— Com a escalada de conflito, todos os agentes econômicos se retraem, diminuindo a demanda por ferro, aço. E há aumento da incerteza no mundo de quando isso vai cessar — disse Gustavo Bertotti, diretor de Renda Variável da Fami Capital.

Governo vai avaliar

O fim dos subsídios aos combustíveis seria discutido entre ontem e hoje, mas, agora, o governo deve esperar alguns dias para avaliar o que ocorrerá no Oriente Médio.

Na semana passada, foi anunciada a suspensão do subsídio de R$ 0,35 por litro de diesel, tendo sido sinalizado que a outra subvenção para o combustível, de R$ 1,12, e a da gasolina, de R$ 0,44, seguiriam pelo mesmo caminho.

Segundo interlocutores, o Executivo tem interesse em zerar a subvenção, devido ao seu impacto fiscal, mas é difícil tomar essa decisão em um ambiente tão volátil.

A discussão ganhou um complicador após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ter avisado aos líderes partidários que poderá colocar em votação o projeto que cria um mecanismo para compensar a perda de arrecadação decorrente da redução de tributos sobre combustíveis caso o governo não retire o subsídio à gasolina.

O salto de ontem da commodity também deve fazer com que o governo mantenha por mais tempo o Imposto de Exportação do petróleo, de 12%, apesar de a medida provisória que o instituiu perder a validade hoje.

Parte do governo avalia que, se a cotação do petróleo se estabilizar perto de US$ 70, a alíquota pode ser reduzida. Acima de US$ 80, a tese é manter o atual patamar por mais algum tempo, a despeito das queixas do setor petrolífero, especialmente das empresas privadas.

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