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Preço do renovável foi equivalente a 77,5% do valor do fóssil na última semana

NovaCana

Enquanto a gasolina vai para a nona semana consecutiva de aumento nos postos, o etanol entra em sua segunda. O combustível fóssil, entretanto, tem registrado acréscimos mais discretos do que o renovável.
Entre 13 e 19 de junho, o preço do etanol subiu 0,3%, custando médios R$ 4,401 por litro; na semana anterior, ele valia R$ 4,388/L. Já a gasolina, sofreu um crescimento menos relevante, de 0,11%. No levantamento mais recente, o fóssil foi negociado a R$ 5,682/L, enquanto uma semana antes o valor era de R$ 5,676/L.
Os números correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Novamente, o aumento mais significativo para o etanol impactou na competitividade do biocombustível ante seu concorrente fóssil. No período, o renovável custou o equivalente a 77,5% do valor da gasolina na média nacional, igualando o patamar visto entre 29 de janeiro e 4 de fevereiro de 2017. Além de estar acima do limite comercialmente estabelecido, de 70%, a relação está mais desfavorável do que uma semana antes, quando era de 77,3%.
O movimento é inverso ao visto nas produtoras brasileiras. O preço do etanol hidratado sofreu redução de 4,17% nas usinas de São Paulo. Conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o valor passou de R$ 3/L para R$ 2,87/L, na média, entre as duas últimas semanas. Nos estados de Mato Grosso e Goiás, os preços também tiveram quedas, sendo de 1,21% no primeiro e 4,6% no segundo.
Nas refinarias, por sua vez, houve uma redução de 1,9% a partir de 12 de junho, conforme anúncio feito pela Petrobras.

É importante reiterar que as comparações dos preços dos combustíveis nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.
Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 294 municípios, 18 a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.
Variações nos estados
Entre 13 e 19 de junho, os preços do etanol nos postos subiram na média de 17 estados, caindo em oito e no Distrito Federal. Os dados não foram apurados no Amapá. Por sua vez, a gasolina teve alta em 12 unidades da federação.

Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o etanol passou por um aumento de 0,57%, indo para R$ 4,215/L. A gasolina, por sua vez, teve uma suave redução de 0,06%, passando para R$ 5,405/L. Com isso, a relação entre os preços subiu para 78%, o que mantém o biocombustível desfavorável no estado. A pesquisa foi feita em 105 cidades, cinco a mais do que na semana anterior.
Já em Goiás, o etanol foi negociado a R$ 4,539/L na média da semana analisada. Invertendo a lógica do período anterior, o preço caiu 1,09%. Como a gasolina também sofreu redução, de 0,94%, a relação entre os preços do renovável e do fóssil foi de 75,6%, bastante próxima aos 75,7% vistos uma semana antes. O número de cidades consideradas no levantamento segue sendo oito.
Por sua vez, Minas Gerais teve um aumento no preço médio do etanol de 1,15%, ficado em R$ 4,476/L. A gasolina teve um crescimento um pouco menor, de 0,90%, e foi vendida a R$ 5,935/L, em média. Com isso, o renovável custou 75,4% do preço do fóssil no estado. No total, 29 municípios mineiros participaram da pesquisa, oito a mais do que na semana anterior.
Mato Grosso foi o estado que teve maior redução semanal no preço do etanol em toda a análise: 2,38%. Além disso, detém o preço médio mais baixo para o renovável dentre todos os estados: o litro do etanol foi negociado nos postos por, em média, R$ 4,056. Enquanto isso, a gasolina foi vendida a R$ 5,697/L – uma leve retração de 0,07%.
Assim, ainda que a relação entre os preços esteja em 71,2% e, portanto, acima do limite de competitividade para o etanol, ela está abaixo do reportado uma semana antes e é a melhor do país. A ANP fez a pesquisa em cinco municípios de Mato Grosso, um a menos do que no período anterior.
Em contrapartida, o Mato Grosso do Sul teve um aumento de 1,17% no valor do etanol, que foi vendido a médios R$ 4,575/L – o maior preço para o biocombustível dentre os seis estados que mais produzem. A gasolina também sofreu um acréscimo de 0,87%, ficando em R$ 5,780/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 79,2% do preço de seu concorrente fóssil, acima do visto uma semana antes. Foram três as cidades que participaram do levantamento.
Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação entre os preços dentre os seis maiores produtores de etanol do país, com 80,53%, embora tenha ocorrido uma pequena melhora no comparativo semanal. O preço do etanol teve uma retração de 0,25%, ficando em R$ 4,367/L; já a gasolina teve uma redução um pouco menor, de 0,17%. Foram 16 cidades pesquisadas no estado, a mesma quantia do que uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Comparação comprometida
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 13 e 19 de junho, 294 cidades foram pesquisadas, 18 a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

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