Consumo e investimento fracos devem ‘segurar’ o Brasil

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Fonte: Valor Econômico

Atingido pela crise da covid-19 sem se recuperar da última recessão, o Brasil deve ter uma lenta retomada da economia nos próximos trimestres. O consumo das famílias e o investimento terão pouca força para puxar a atividade e o governo, com alto endividamento, não terá fôlego para estender as medidas de estímulo. Além de frágil, a retomada estará sujeita a solavancos se as contaminações pelo vírus, ainda não controladas, forçarem novo endurecimento da quarentena, apontam os analistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). O cenário de restrição fiscal dificulta a manutenção ou ampliação do pacote adotado para amortecer o choque da pandemia, em especial as transferências de renda aos mais pobres e aos trabalhadores informais.
A dúvida do momento é sobre como vai reagir a atividade quando essas medidas forem retiradas. “Temos um cobertor fiscal curto, a pergunta que fica é até onde conseguimos fazer essa ponte de transferência de renda. Não há tanto espaço para ir com essas políticas além do terceiro trimestre”, diz Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre/FGV.
Nas últimas semanas, o mercado diminuiu parte do pessimismo sobre a retração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 e agora prevê uma queda em torno de 6,5%. Com isso, escassearam estimativas de tombo na casa de 8% a 10%. O Ibre/FGV recalibrou as projeções após a última rodada de indicadores e agora estima queda de 5,5% do PIB neste ano – a previsão anterior era um recuo de 6,4%. No segundo trimestre, a baixa deverá ser de 9% ante os três meses anteriores.
“Esse otimismo de curto prazo está muito mais relacionado ao consumo de bens do que ao desempenho dos serviços, cujo cenário ainda é muito difícil”, afirma Luana Miranda, pesquisadora do Ibre/FGV.
Na sexta-feira, o IBGE informou que o setor de serviços caiu 0,9% em maio ante abril, na contramão da indústria e varejo, que mostraram recuperação parcial das perdas da crise em igual período. Nos quatro últimos meses, o tombo acumulado do segmento chega a quase 20%
Silvia lembra que em lugares como a Suécia, onde a pandemia está longe de ser controlada, o baque sobre as atividades presenciais ainda é sentido.
“O efeito [de uma segunda onda de contaminações] pode afetar a recuperação, principalmente no setor de serviços. Pode tornar esse processo muito difícil de ser restaurado”, afirma.
Analistas também lembram que, mesmo após a reabertura da economia, as famílias devem manter cautela nos gastos. “Houve uma melhora do consumo, mas ainda observamos uma queda muito intensa, confirmada pelos indicadores de alta frequência”, afirma Luana.
À frente, também sobram incertezas sobre a qualidade da recuperação do mercado de trabalho. “Não sabemos como vai ser a geração de renda”, diz Silvia.
Além da demanda fraca das famílias, Luana destaca que a perspectiva para o investimento é desalentadora, com forte queda na produção de bens de capital.
“O Brasil é muito disfuncional. Se não houver um ambiente de negócios mais favorável vai ser muito difícil acelerar o crescimento. Poderia ser por um ciclo de investimentos, mas ainda estamos distantes disso”, diz a coordenadora do Boletim Macro.

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