Volatilidade do preço do petróleo no segundo trimestre tende a afetar os balanços das ‘supermajors’; analistas consultados pela Bloomberg projetam queda de 12% nos lucros combinados das empresas em relação ao período anterior
Bloomberg Línea
As gigantes globais de petróleo devem registrar seus menores lucros trimestrais em quatro anos, depois que a geopolítica sacudiu os preços e deixou alguns de seus operadores no lado errado da volatilidade.
O petróleo subiu 31% em um período de sete semanas em maio e junho, depois despencou para encerrar o trimestre 10% abaixo de onde começou, enquanto a guerra comercial do presidente Donald Trump e os aumentos de oferta da Opep+ superaram o impulso dos ataques israelenses e americanos ao Irã.
As oscilações bruscas causaram desempenhos divergentes na Shell e na BP, que têm divisões de trading maiores do que suas rivais americanas.
A Shell alertou no início deste mês sobre lucros de trading “significativamente menores”, enquanto a BP orientou para lucros “fortes” de seus operadores de petróleo, oferecendo um impulso muito necessário para o CEO Murray Auchincloss.
No geral, a previsão é de que os lucros combinados do segundo trimestre da Exxon Mobil, Chevron, Shell, TotalEnergies e BP caiam 12% em relação ao período anterior, para US$ 19,88 bilhões, segundo estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.
“A volatilidade geralmente é boa porque significa mais lucros de trading, mas como foi liderada pelo risco geopolítico, foi mais difícil de capturar”, disse Michele Della Vigna, chefe de pesquisa de recursos naturais do Goldman Sachs para Europa, Oriente Médio e África, em entrevista à Bloomberg News. “Não foi desastroso, mas definitivamente foi um trimestre mais difícil”.