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Depois de anos negociando com desconto em relação aos pares, a Ultrapar (UGPA3) vive um dos momentos mais favoráveis de sua história recente na Bolsa. As ações da companhia acumulam valorização de 51,58% em 2026, liderando os ganhos do Ibovespa até esta segunda-feira (20), e avançam mais de 100% nos últimos 12 meses, renovando máximas históricas.
O movimento reflete uma mudança significativa na percepção do mercado sobre a dona da Ipiranga, Ultragaz e Ultracargo. Se antes a companhia era vista com cautela por conta da baixa rentabilidade da operação de distribuição de combustíveis, hoje bancos e investidores enxergam uma empresa com margens recordes, forte geração de caixa, baixa alavancagem e espaço para remunerar os acionistas com dividendos e recompra de ações.
A valorização recente, inclusive, levou investidores de longo prazo a realizar lucros. O Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) zerou sua participação de cerca de 4% na Ultrapar em um block trade de R$ 1,3 bilhão na B3. O fundo havia montado posição na companhia em 2021, quando as ações negociavam perto de R$ 15. Agora, decidiu vender os papéis com a cotação acima dos R$ 30, motivados pela forte valorização dos ativos para realocar recursos em outros investimentos no Brasil.
O que mudou na Ultrapar?
Grande parte da reprecificação da Ultrapar passa pela recuperação da Ipiranga, principal operação da companhia. Nos últimos trimestres, a distribuidora passou a operar com margens muito acima da média histórica, impulsionada por um ambiente mais favorável na distribuição de combustíveis.
Os analistas destacam que fatores como a maior disciplina competitiva entre as distribuidoras, a formalização do setor e a dinâmica do mercado de diesel permitiram uma expansão consistente da rentabilidade. O diesel importado continua sendo negociado com prêmio relevante em relação aos preços praticados pela Petrobras, sustentando margens elevadas para a companhia.
Além da melhora operacional, a Ultrapar passou a gerar caixa em um ritmo muito superior ao observado nos últimos anos. A forte geração de fluxo de caixa acelerou a desalavancagem da empresa, reduzindo a necessidade de priorizar o pagamento de dívida e abrindo espaço para uma política mais agressiva de retorno ao acionista.
Outro fator que ajudou a destravar valor foi o desaparecimento de riscos que preocupavam o mercado. Entre eles estão a desistência da companhia em relação à aquisição de uma participação na Rumo (RAIL3), eliminando dúvidas sobre alocação de capital, e a suspensão, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), da proposta de mudanças no mercado de GLP, preservando a elevada rentabilidade da Ultragaz.
Bancos reforçam aposta na companhia
A melhora dos fundamentos também provocou uma mudança na visão das principais casas de análise.
Recentemente, o Bank of America (BofA) elevou a recomendação da Ultrapar de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 34 para R$ 37. Para o banco, os resultados do segundo trimestre devem funcionar como um importante catalisador, impulsionados por margens recordes da Ipiranga e forte geração de caixa.
O BofA também avalia que, sem grandes aquisições no horizonte e com um balanço desalavancado, a companhia está em posição confortável para elevar o pagamento de dividendos e ampliar programas de recompra de ações.
O BTG Pactual segue a mesma linha. Em relatório de prévia para o segundo trimestre (2T26), o banco estima um Ebitda consolidado de aproximadamente R$ 3,3 bilhões, sustentado principalmente pela força da Ipiranga, além de projetar fluxo de caixa livre robusto e continuidade do bom momento operacional nos próximos meses.
Apesar de reconhecer que a ação já “não é mais uma barganha”, o BTG mantém recomendação de compra por acreditar que a combinação entre lucros elevados, geração de caixa, baixa alavancagem e potencial de dividendos continua justificando a tese.
O J.P Morgan também permanece otimista. O banco afirma que o mercado ainda subestima a capacidade de a Ultrapar sustentar margens mais elevadas na distribuição de combustíveis e projeta cerca de R$ 2,8 bilhões em dividendos em 2026.
Na avaliação dos analistas, a companhia reúne uma combinação rara de forte disciplina financeira, geração de caixa e baixa alavancagem, fatores que devem continuar sustentando o interesse dos investidores.
Depois de dobrar de valor em um ano, a pergunta do mercado já não é mais o que provocou o rali da Ultrapar, mas se a companhia ainda conseguirá entregar resultados capazes de justificar uma nova rodada de valorização. Pelo menos por enquanto, os analistas acreditam que sim.