Descoberta de petróleo não é ‘bilhete premiado’, mas evita que Brasil volte a ser importador do óleo 

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Recursos precisam ser usados de forma estratégia para financiar a transição energética no País

 Estadão Online

A descoberta de petróleo pela Petrobras na Margem Equatorial tem a importância estratégica de evitar o cenário em que o Brasil volte a ser importador líquido do produto em pouco mais de uma década. Se a conjuntura econômica do País, hoje, já está complicada, ela ficaria muito mais complexa com um desequilíbrio na nossa balança comercial e com a volta da dependência externa no insumo energético mais importante do mundo.

Em 2025, o petróleo foi o principal produto da pauta exportadora brasileira, com US$ 44,6 bilhões em vendas externas, superando a soja (US$ 43,5 bi) e quase dobrando em relação ao minério de ferro (US$ 26,2 bi). Neste ano, já foram US$ 32,5 bilhões exportados do produto.

A União, os Estados e municípios arrecadaram R$ 98,9 bilhões em royalties e participações especiais no ano passado. Uma montanha de dinheiro que ajudou a diminuir o déficit público e a financiar despesas com saúde e educação.

O poço Morpho está localizado a 175 km da costa do Oiapoque (AP) e a quase 500 km da foz do Rio Amazonas Foto: Cezar Fernandes/Petrobras

Nada disso, contudo, significa que os ambientalistas estão errados. Os eventos climáticos extremos têm ficado cada vez mais frequentes, como ondas de calor, chuvas torrenciais e secas extremas, com impacto muito mais forte sobre as populações mais carentes.

O rápido e forte aquecimento global tem suas causas mapeadas pela ciência, a despeito do negacionismo climático que persiste ao lado de outras crenças sem sentido que ganham força nas redes sociais, como o movimento antivacina e os delírios dos terraplanistas.

O que o País precisa é conciliar a agenda de proteção do meio ambiente e de redução do consumo dos combustíveis fósseis com uma estratégia de produção e exploração de óleo que atenda aos rigores técnicos de segurança e financie novas soluções tecnológicas e investimentos em infraestrutura.

O Brasil tem que acelerar investimentos em mitigação e adaptação. Isso significa reduzir o consumo de produtos derivados do petróleo, de um lado; e ampliar gastos com saneamento básico, redes de esgoto, remoção de famílias de áreas de risco, recuperação de áreas degradadas, de outro. Cortar a produção sem reduzir o consumo, por sua vez, é contratar graves problemas.

A grande falácia da descoberta é acreditar que o Brasil encontrou novamente um “passaporte para o futuro” e um “bilhete premiado”, como repetiu o presidente Lula. O pré-sal foi extremamente importante para trazer dólares para o Brasil, financiar o Estado e ampliar investimentos, mas sob nenhum aspecto transformou a economia a do País. Desta vez, é preciso mais visão estratégica.

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