Diesel tem defasagem de 3,38 reais e governo decide até sábado tamanho do subsídio

Etanol sobe quase 20% em usinas paulistas em um mês
23/09/2026
Furto de combustível agora dá até 10 anos de cadeia; entenda nova lei
23/09/2026
Mostrar tudo

MP que banca R$ 1,12 por litro expira dia 26; levantamento da Abicom mostra distância recorde em relação à paridade nos polos da Petrobras

Veja Online

O governo chega à reta final para decidir quanto continuará gastando para segurar o preço do diesel em um momento de forte descolamento entre os valores domésticos e internacionais. Levantamento mais recente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) mostra que, nos polos da Petrobras, a diferença entre o diesel vendido no país e o preço de paridade de importação chegou a 3,38 reais por litro. Pelos cálculos da entidade, o ajuste necessário para alcançar a paridade equivale a 103% do preço doméstico de referência.

Considerando os principais polos de importação do país, e não apenas os da estatal, a distância é de 2,90 reais por litro, ou 88%. A pressão sobre o diesel é muito maior do que sobre a gasolina: nesse combustível, a Abicom calcula uma diferença de 1,07 real por litro nos polos Petrobras, equivalente a 35%, e de 91 centavos, ou 30%, na média dos principais polos.

É nesse cenário que termina, neste sábado, 26 de setembro, a vigência da medida provisória que garante uma subvenção de 1,12 real por litro de diesel comercializado por produtores e importadores. A MP 1.363 continua sem parecer publicado para votação e tem 26 de setembro como data final de vigência, segundo o Congresso Nacional.

O benefício hoje é acumulado com outra subvenção, de 1 real por litro, criada pelo governo neste mês. Juntas, as duas medidas representam um colchão de 2,12 reais por litro. A Petrobras aderiu ao novo programa e elevou em 1 real o preço nominal do diesel vendido às distribuidoras, concedendo simultaneamente desconto do mesmo valor em razão da subvenção.

A comparação com a defasagem da Abicom não é totalmente mecânica, porque o cálculo da paridade e o mecanismo de ressarcimento do governo têm bases próprias. Mas os números dão a dimensão da pressão: mesmo a soma nominal das duas subvenções é inferior à distância de 3,38 reais apontada pela entidade nos polos da Petrobras.

A expiração da MP de 1,12 real, porém, não significa necessariamente que o apoio cairá automaticamente para 1 real. A nova medida provisória permite ao Ministério da Fazenda alterar por ato infralegal o valor da subvenção mais recente. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou neste mês que o governo avaliaria no fim de setembro se poderia retirar a parcela de 1,12 real ou se ela precisaria ser “preservada”. Segundo ele, a nova estrutura foi desenhada para absorver um eventual valor adicional.

A decisão envolve uma conta de bilhões de reais. O governo estimou em aproximadamente 5 bilhões de reais mensais o custo da nova subvenção de 1 real ao diesel. O pacote anunciado neste mês para diesel, gasolina e etanol tem impacto total calculado em cerca de 7 bilhões de reais por mês.

A pressão no mercado também chegou ao debate sobre abastecimento. Nesta terça-feira, o governo descartou um risco generalizado de falta de diesel para a safra 2026/2027 e afirmou que eventuais dificuldades observadas no Sul seriam pontuais. A defasagem calculada pela Abicom, entretanto, mostra por que os importadores permanecem no centro da discussão: quanto maior a distância entre o preço doméstico e o custo para trazer combustível de fora, menor tende a ser a atratividade econômica das importações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *