CORREIO DA BAHIA
Projeto também contempla fábrica em Goiás e deve elevar a capacidade de produção da empresa de 600 milhões para 700 milhões de litros por ano
A Binatural, fabricante de biodiesel, vai ampliar a unidade de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, como parte de um plano de expansão de R$ 100 milhões que também envolve a fábrica da empresa em Formosa (GO). A previsão é concluir as obras no primeiro semestre de 2027.
Com o projeto, a fabricante de biodiesel pretende elevar a capacidade anual das duas unidades de 600 milhões para 700 milhões de litros.
Do total previsto, R$ 40 milhões serão financiados pelo Banco do Brasil, por meio do programa Eco Invest, e R$ 60 milhões virão de recursos próprios da companhia, segundo a Agência Infra. Inicialmente, a maior parcela do investimento seria concentrada na fábrica baiana, que possui maior capacidade, mas o planejamento foi ajustado para aproximar os aportes entre as duas unidades.
Na Bahia, a expansão prevê melhorias no processo industrial para aumentar o rendimento da produção. A empresa também pretende reduzir a geração de resíduos e aproveitar subprodutos para transformá-los em mais biodiesel.
A estratégia ocorre enquanto o setor aguarda uma definição sobre o aumento da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel. Atualmente, o percentual permanece em 15%, embora a Lei do Combustível do Futuro tenha estabelecido uma elevação gradual até 20% em 2030.
Segundo o CEO da Binatural, André Lavor, a falta de previsibilidade no calendário de aumento da mistura interfere nos planos das empresas. “O pé no acelerador não foi conforme a gente previa. O capital não foge de risco ou volatilidade, mas foge sim de incertezas e imprevisibilidades”, afirmou.
A companhia também aposta em novos mercados para ampliar a demanda pelo combustível. A Binatural afirma ter testado o biodiesel B100 em motores marítimos produzidos pela fabricante finlandesa Wärtsilä, em uma possível aplicação para o transporte naval.
Além do óleo de soja, a empresa utiliza gordura animal e outros óleos vegetais como matérias-primas. Na unidade baiana, estão entre os insumos utilizados o óleo de algodão e o de palma, enquanto o coco de piaçava também é empregado nas caldeiras.
A expansão inclui ainda medidas para reduzir em até 70% a geração de borra no processo produtivo. A empresa pretende inicialmente transformar o ácido graxo em biodiesel e, em uma etapa posterior, reaproveitar também a borra para ampliar o aproveitamento dos insumos.