Só a Petrobras desembolsou R$ 3,2 bi em duas rodadas e ficou com 21 dos 59 blocos que foram vendidos
O Estado de S. Paulo
Com a Petrobras como protagonista, o governo arrecadou ontem R$ 3,5 bilhões em dois leilões de áreas de exploração de petróleo e gás no País. Só a estatal desembolsou R$ 3,2 bilhões para arrematar 21 dos 59 blocos vendidos. A estatal fez também o maior lance do leilão, de R$ 754,2 milhões por um bloco na Bacia de Campos, um ágio de cerca de 21.000% em relação ao valor inicial mínimo de R$ 3,5 milhões estipulado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“A Petrobras respondeu por quase todo o valor do bônus na OPC (Oferta Permanente de Concessão)”, afirmou o diretor da ANP Pietro Mendes. “São R$ 3,5 bilhões de receita não prevista no orçamento da União”, acrescentou.
Mais do que a disputa por novas fronteiras, os leilões mostraram uma estratégia cada vez mais voltada para áreas próximas de operações já existentes. A lógica é aproveitar infraestrutura e ativos em produção para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento.
“Como a gente não tem mais aqueles grandes campos, as empresas que já têm um FPSO (plataforma) funcionando compram áreas que estão do lado de ativos dela. É o que aconteceu, por exemplo, com a Prio, porque ela sabe que aquilo tem um potencial”, disse o presidente da Pré-Sal Petróleo (PPSA), Luís Fernando Paroli.
Já o investimento da Petrobras ficou mais centrado nas áreas do pós-sal, sendo 12 na Bacia de Campos e sete na Bacia do Ceará, uma das cinco bacias da Margem Equatorial brasileira. “A Petrobras está investindo no exterior e, com os blocos dessa oferta, conseguimos atrair a empresa para investir aqui”, avaliou Mendes. “Se tivéssemos colocado blocos da Margem Equatorial, teríamos atraído outras ‘majors’, mas o resultado desse leilão foi excelente para a segurança energética”, afirmou.
A Prio também ampliou sua presença no pré-sal ao conquistar os blocos Magnetita e Hematita, na Partilha da Produção. A Equinor ficou sozinha com Rubi e, em parceria com a Galp, levou o Rodocrosita.
Para o Itaú BBA, o resultado é positivo para a Prio, ao ampliar seu portfólio na região e abrir novas oportunidades para reposição de reservas. O banco destaca que os ativos ficam próximos aos campos de Wahoo e Frade, o que pode gerar sinergias de desenvolvimento com a infraestrutura já existente.
Segundo o edital, após a realização do leilão, blocos que não foram adquiridos poderiam ser requeridos pelos investidores presentes no certame e que possuem garantias financeiras para novos lances. A Petrom solicitou a reabertura do setor SPNSE, na bacia do Parnaíba, que havia vendido apenas um bloco, dos sete ofertados. A empresa ficou com o bloco PN-T-166, na bacia do Parnaíba.
CONVENIÊNCIA.
De acordo com a vice-presidente de Gestão de Ativos da Equinor, Letícia
Andrade, a aquisição do bloco Rodocrosita busca aproveitar a proximidade com outro ativo da companhia.
“O (bloco) Rodocrosita fica na Bacia de Santos e é próximo ao campo de Bacalhau, onde a gente já produz. Então, é uma área que a gente já conhece e está conhecendo cada vez mais, conforme a produção do campo vai avançando. E aí existe sempre uma possibilidade de potencial sinergia entre Rodocrosita e Bacalhau”, disse a executiva após o leilão.
Além da Petrobras, a petroleira independente Aguila Energia foi destaque na rodada de concessão. Com sete ativos terrestres no Rio Grande do Norte, Sergipe e Bahia, a empresa arrematou 12 blocos e desembolsou R$ 2,09 milhões.
Este pode ser o último leilão realizado pela ANP no Rio de Janeiro, local dos certames desde 1999. Um acordo da agência feito com a B3, em abril deste ano, deve levar os leilões de áreas de petróleo e gás natural da União para São Paulo, a partir do ano que vem. •
“Como a gente não tem mais aqueles grandes campos, as empresas que já têm um FPSO (plataforma) funcionando compram áreas que estão do lado de ativos dela. É o que aconteceu, por exemplo, com a Prio”
Luís Fernando
Paroli Presidente da PPSA
“São R$ 3,5 bilhões de receita não prevista no orçamento da União”
Pietro Mendes