Fonte: Valor Online
A Petrobras deve divulgar hoje o seu primeiro resultado anual positivo, depois de quatro anos seguidos de prejuízos. Segundo a média das projeções de sete instituições consultadas pelo Valor, a estatal deve apresentar lucro líquido da ordem de R$ 7,7 bilhões no quarto trimestre de 2018, revertendo o prejuízo de R$ 5,477 bilhões no último trimestre de 2017, quando o desempenho foi afetado negativamente pelo acordo para encerrar as ações coletivas de investidores nos Estados Unidos.
Confirmada a projeção, a Petrobras deve fechar 2018 com lucro líquido de R$ 31,408 bilhões, já que a empresa acumulava ganho de R$ 23,677 bilhões nos três primeiros trimestres de 2018. Para efeitos de comparação, em 2013, ano do último resultado anual azul da empresa, a estatal havia registrado lucro líquido de R$ 23,57 bilhões.
De acordo com a projeção média das sete instituições consultadas (Credit Suisse, Itaú BBA, J.P. Morgan, Morgan Stanley, Raymond James, Santander e UBS), a receita líquida deve crescer 13,8% no quarto trimestre, ante igual período de 2017, para R$ 87,104 bilhões. O crescimento reflete a alta dos preços internacionais do petróleo, que, apesar de terem recuado ante o terceiro trimestre, se mantiveram acima dos patamares de 2017.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) previsto é de R$ 29,072 bilhões, alta de 123% na mesma base de comparação.
Nem todas as projeções para o quarto trimestre consideram os impactos dos efeitos não recorrentes. A expectativa é que alguns deles afetem o balanço a ser divulgado hoje, após o fechamento do mercado.
A Petrobras já comunicou ao mercado, por exemplo, que contabilizará o acordo de R$ 3,5 bilhões com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), para encerrar a disputa em torno do pagamento de participações especiais sobre o Parque das Baleias, na Bacia de Campos. A estatal decidiu provisionar integralmente esse valor no balanço do quarto trimestre.
Além disso, a petroleira já informou que provisionará outros US$ 622 milhões, relativos a decisão desfavorável em arbitragem movida pela empresa de sondas Vantage Deepwater, a título de ressarcimento pela rescisão antecipada de um contrato no Golfo do México. O Credit Suisse destaca, por sua vez, que, no campo positivo, a estatal pode vir a registar reversão de provisão dos recebíveis da Eletrobras, de R$ 3,1 bilhões.
Em 2018, a companhia fechou o ano com uma produção média de 2,034 milhões de barris/diários de petróleo, no Brasil, volume 5,5% menor que o de 2017 e abaixo da meta de 2,1 milhões de barris/dia.
O Raymond James destacou que o fato de não atingir a meta é um fator de risco significativo para 2019 em diante, já que as projeções para os próximos anos são "agressivas". A Petrobras projeta crescimento anual de 6% até 2023 na sua curva de produção até 2023. O banco, no entanto, considera um aumento de 3% a 4% como mais plausível.
No refino, o UBS acredita que a utilização da capacidade instalada continuará, no quarto trimestre, abaixo dos 75%, devido à menor utilização da Replan, em Paulínia (SP), que teve parte de suas unidades paralisadas depois de uma explosão em agosto. Já o Itaú BBA estima que o parque de refino da estatal tenha operado com uma taxa média de utilização de 80%, mesmo com as restrições da Replan.
O Itaú BBA também acredita que a participação da Petrobras em diesel tenha crescido, refletindo a tendência de declínio da importação de terceiros durante o período em que vigorou o programa de subvenção ao diesel. Segundo a ANP, a fatia da Petrobras nas importações de diesel subiu 23,6 pontos percentuais em 2018, para 27,9% do volume total importado. (Colaborou Rodrigo Polito, do Rio)