

O Globo Online
Segundo o contra-almirante Henrique Saboia, para isso, a abertura de mercado vai atrair novos atores competindo uns contra os outros
Há pouco mais de um mês no comando da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o contra-almirante Rodolfo Saboia espera que a vacinação para combater o coronavírus permita realizar até três rodadas de leilão de campos de petróleo neste ano, gerando investimento de R$ 75 bilhões. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, ele fala sobre os preços da Petrobras e o desafio ambiental na áreas do Norte do país.
Como está a disputa entre importadores e Petrobras? É uma preocupação?
O mercado hoje funciona de uma maneira que precisa melhorar. Para isso, a abertura de mercado vai atrair novos atores competindo uns contra os outros. Esse preço que todos tentam descobrir, se está caro ou barato demais e se é manipulado ou não, acontece porque passamos muitas décadas com o preço controlado pelo governo.
Mas o preço hoje praticado pela Petrobras é questionado pela ANP?
Não pressionamos ninguém por preço. Fazemos um monitoramento e ficamos atentos a eventuais distorções que possam indicar abuso de algum agente econômico e encaminhamos para órgãos de defesa econômica e do consumidor. Até esse momento não observamos indício disso. É natural lidar com interesses conflitantes.
Qual é a expectativa para as rodadas de petróleo em 2021?
Estamos ainda sob os efeitos das incertezas trazidas pela pandemia. Temos a 17ª rodada prevista para outubro. Temos o segundo ciclo de oferta permanente e pretendemos colocar mais de 300 áreas em oferta. Tenho esperança de que, com o avanço da vacinação, seja possível a retomada econômica para que as demandas voltem a crescer.
A rodada do excedente da cessão onerosa está nos planos?
É uma possibilidade. Vai depender das negociações entre PPSA e Petrobras, que estão em andamento. O potencial de investimentos com essas rodadas é de R$ 75 bilhões.
Além do pré-sal, há o desenvolvimento de áreas, como a Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. Qual é o desafio?
O desafio é a questão ambiental. Está sendo discutido como e se é possível a exploração de petróleo na região da Margem Equatorial.
Essas áreas podem ser incluídas em leilões?
Esse assunto não está maduro. A ANP não lida com áreas que impliquem em restrições ambientais.
E pode haver uma devolução do que já foi leiloado?
Ainda não chegou no ponto de a ANP ser envolvida na discussão de devolução.