Petrobras diz aguardar “tendência” para “ajustar ou não” preços dos combustíveis

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Valor Econômico

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, afirmou nesta sexta-feira que a empresa ainda está avaliando se a alta recente dos preços internacionais do petróleo será uma tendência, antes de decidir por um eventual reajuste. Ele disse que, apesar de o barril do tipo Brent ter atingido os US$ 75 nos últimos dias, o câmbio em baixa tem permitido a companhia segurar reajustes.

“Estamos aguardando tendências para ajustar ou não”, comentou Silva e Luna. “Separamos aquilo que é conjuntural do que é estrutural”, completou, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, sobre as vendas de ativos da petroleira.

Ele negou que haja “intervenção, qualquer que seja” na política de preços. Questionado por parlamentares sobre o papel histórico da Petrobras como agente de desenvolvimento do país, Silva e Luna afirmou que a estatal continua assumindo esse papel e disse que o maior beneficiado dos lucros obtidos pela companhia é a União, enquanto acionista majoritária, e a sociedade como um todo — ao citar que, em 2020, a empresa pagou R$ 129 bilhões em tributos em 2020, incluindo royalties e participações especiais.

O executivo afirmou que a empresa se preocupa em se manter alinhada ao preço de paridade de importação (PPI), de forma a manter atrativa a atividade de importação de combustíveis. O Brasil é dependente das importações, sobretudo no abastecimento de derivados como o diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP).

“Por isso nossa preocupação com PPI. É por causa da importação. A concorrência hoje [no mercado brasileiro] só se dá por esse caminho”, disse. Silva e Luna defendeu também que o plano de investimentos da companhia supera, hoje, o programa de desinvestimentos da empresa. “A Petrobras está investindo mais do que desinvestindo”, disse.

O executivo citou que o plano estratégico da companhia soma, em reais, cerca de R$ 300 bilhões em investimentos até 2025 e explicou que a estatal está vendendo ativos para se concentrar no pré-sal. “O pré-sal precisa ser desenvolvido enquanto ainda há demanda por petróleo. Temos pressa no pré-sal”, comentou.

Mesmo concentrada no pré-sal, ele citou que a empresa prevê investimentos de R$ 10 bilhões em águas profundas na costa sergipana e R$ 5 bilhões na exploração da Margem Equatorial.

Ele também afirmou que a venda de ativos atende a compromissos assumidos com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a diretrizes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Os desinvestimentos, destacou ainda, tem permitido a entrada de novos atores na indústria brasileira de óleo e gás e atraído investimentos. “O que está sendo desinvestido não está sendo fechado.” Ele disse acreditar que o aumento da concorrência no setor deve trazer reduções nos preços.

Ao comentar sobre o futuro da petroleira, Silva e Luna destacou, ainda, que a empresa deve intensificar a sua produção nas próximas décadas. Segundo ele, até 2050 a Petrobras vai produzir um volume maior do que 23,6 bilhões de barris que a empresa produziu em seus 68 anos.

Acordo com o DoJ

Silva e Luna revelou hoje que foi entrevistado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês), após assumir o comando da estatal brasileira.

“Já tive que ser entrevistado pelo DoJ para saberem informações e terem a confiança de que investidores não estão colocando recursos aqui dentro a partir de decisões estapafúrdias.”

Em 2018, a Petrobras fechou um acordo para encerramento das investigações da SEC e do DoJ, relacionados aos controles internos, registros contábeis e demonstrações financeiras da companhia, durante o período de 2003 a 2012.

Os acordos encerraram completamente as investigações das autoridades americanas e estabeleceram pagamentos de US$ 85,3 milhões ao DoJ e US$ 85,3 milhões à SEC.

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