Decisão da estatal amplia volumes para entrega a distribuidoras em abril e abrange gasolina. Agência reguladora afirma que fluxo no país está garantido tanto pela produção interna quanto por importações
Jornal O Globo
Com o cenário de restrição no fornecimento de diesel no Brasil após a eclosão da guerra no Oriente Médio, que provocou a disparada nos preços do petróleo, a Petrobras anunciou ontem que ampliou a oferta de produtos às distribuidoras clientes para entrega em abril. De acordo com a estatal, o aumento chega a 70 mil metros cúbicos (70 milhões de litros) de diesel S10 e 95 mil metros cúbicos (95 milhões de litros) de gasolina. A Petrobras informou que “esse volume já está devidamente incorporado aos compromissos assumidos para abril, dentro da dinâmica de atendimento dos contratos comerciais”. Poucas horas após o anúncio da Petrobras, o secretário de Petróleo e Gás da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Renato Dutra, afirmou que “não há risco de desabastecimento no país e não falta óleo diesel disponível para atender à demanda nacional”, apesar das tensões internacionais. Segundo ele, o Brasil conta com oferta suficiente para suprir a procura nos meses de março e abril, com fluxo garantido tanto pela produção interna quanto pelas importações.
AUTUAÇÕES
Dutra informou que as operações da ANP contra abusos de preços resultaram na fiscalização de 342 agentes regulados, incluindo 78 distribuidores. Destes, 16 foram autuados, com casos em que a margem de distribuição superou 270% em uma semana.
Alertas sobre riscos ao abastecimento de diesel surgiram na semana passada, pelo fato de o mercado brasileiro depender de cerca de 25% de produto importado, e fontes do setor chamaram a atenção para o baixo volume de pedidos de importação para o mês de abril. A escala de pedidos, que costuma ser de 1,5 milhão de metros cúbicos (1, 5 bilhão de litros), em média, por mês, estava em torno de 400 mil metros cúbicos (400 milhões de litros) para entrega em abril.
Para especialistas, com a alta do petróleo no mercado internacional, os importadores estão reduzindo as compras de combustíveis no exterior diante das incertezas sobre a cotação e do receio de não conseguirem vender no Brasil, devido aos preços muito mais baixos praticados pela Petrobras em relação ao exterior. Hoje, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a estatal vende o diesel com preço 63% abaixo da média do mercado internacional. A diferença chega a R$ 2, 26 por litro. No caso da gasolina, a defasagem é de 46% – ou seja, R$ 1, 17 a menos do que no exterior.
O abastecimento também é pressionado pelo fato de muitos consumidores do país terem ampliado a compra de combustíveis para escapar de uma futura alta dos preços nas bombas e por medo de falta de produtos no mercado.
VOLUME BAIXO
Segundo fontes do setor, o volume que a Petrobras informou ontem é considerado baixo, pois representa menos de 5% do total importado.
A decisão da estatal de ampliar a oferta ocorre após a ANP ter solicitado, na semana passada, que a empresa colocasse no mercado volumes de combustíveis que haviam sido retirados depois de ter cancelado leilões de diesel e gasolina para reavaliar seus estoques e as condições comerciais em meio à instabilidade causada pela guerra no Oriente Médio.