Fonte: Valor Online
Aproximadamente 300 funcionários da Petrobras foram responsabilizados por irregularidades investigadas pela companhia desde dezembro de 2014, após a criação do comitê especial de investigações independentes. O comitê teve seu encerramento aprovado na quarta-feira, pelo conselho de administração da petroleira.
“Em torno de 300 pessoas foram responsabilizadas. E a responsabilização pode ser mais grave ou menos. Pode ser demissão por justa causa. Pode ser suspensão, pode ser advertência escrita”, afirmou ontem o diretor de Governança e Conformidade da Petrobras, Rafael Mendes Gomes, a jornalistas, após evento sobre compliance, organizado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), no Rio. Foi a primeira vez que a companhia divulgou balanço do número de funcionários responsáveis por atos ilícitos.
Segundo Gomes, a necessidade de criação do comitê se deu após a delação premiada do ex-diretor de abastecimento da companhia Paulo Roberto Costa no âmbito da operação Lava Jato. “Consideramos que as pessoas que praticaram os atos relacionados à Lava-Jato não estão mais na empresa já há algum tempo.”
Gomes disse que após quase quatro anos de funcionamento do comitê, cerca de 80 recomendações foram feitas à companhia. As atividades do comitê estavam reduzidas e o trabalho restante foi repassado à diretoria de governança. Em termos de estrutura, a diretoria de governança recebeu cerca de 170 funcionários no segundo semestre deste ano. A equipe da diretoria agora é composta por 471 funcionários.
“As atividades [do comitê] já são muito reduzidas e podem ser tranquilamente absorvidas pela diretoria de governança”, disse o diretor. “Temos 170 novos colaboradores na minha área [governança e conformidade] que ingressaram neste semestre, reforçando a área, muitos deles na área de apuração de denúncia", completou.
Perguntado sobre a criação de um fundo com o Ministério Público Federal no Brasil para investimento em ações de promoção de ações sociais e educacionais para transparência e cidadania, no âmbito do acordo firmado em setembro com autoridades americanas, Gomes disse que o prazo de estabelecimento do fundo é de um ano.
"Ainda estão em tratativas com o Ministério Público para melhor encontrar a forma de fazer isso", disse ele. "Uma vez que esteja clara qual é a estrutura, nós vamos fazer esse depósito [de recursos para o fundo]", completou.
Pelo acordo firmado em setembro, 80% dos US$ 853 milhões firmados com as autoridades americanas deverão ser pagos no Brasil. Desse montante, parte será destinada ao fundo.
Questionado sobre o plano de negócios da Petrobras para o período 2019-2023, ainda em análise pelo conselho de administração da empresa, o diretor disse não poder comentar o assunto. Perguntado se o plano contemplaria a área de governança e conformidade, ele afirmou que "não deveria haver motivo para que a promoção da ética e da integridade que está nos nossos valores não seja parte da nossa plataforma de negócios para os próximos anos".