
Fonte: Valor Econômico
Depois de registrar uma queda de 5,1% nas vendas de derivados no Brasil em 2020, a Petrobras vê sinais de recuperação da demanda no mercado doméstico no início deste ano. O diretor de comercialização e logística da estatal, André Chiarini, disse que tem visto “resultados interessantes” na comercialização de combustíveis desde o fim do ano passado e que os números se mantiveram positivos em janeiro.
No quarto trimestre de 2020, a companhia já havia apurado melhora nos resultados de suas refinarias. As vendas da estatal cresceram 2,1% no período, em relação a igual trimestre de 2019, com destaque para o diesel (8,2%) e óleo combustível (37,8%). Na gasolina, a alta foi 0,8% e no gás liquefeito de petróleo (GLP), de 1,8%. O único combustível que continuou no vermelho foi o querosene de aviação, que despencou 43,8%.
Com a recuperação do consumo, a petroleira encerrou o ano de 2020 com um fator de utilização do parque de refino de 82% – ante o percentual de 76% registrado entre outubro e dezembro de 2019.
“As vendas seguem crescendo. A vendas de [janeiro de] 2021 já foram maiores que as de janeiro de 2020, com destaque para as vendas de diesel S10 [com menor teor de enxofre]. As perspectivas são positivas, mas temos que ficar atentos”, afirmou Chiarini, a jornalistas, em referência aos impactos da segunda onda da pandemia de covid-19. “Ainda estamos vivendo um momento de pandemia e a situação merece bastante cuidado”, ressalvou.
Devido à retomada do consumo de derivados no mercado doméstico, a Petrobras não projeta para este ano novos recordes de exportação de petróleo, a exemplo da marca de 1 milhão de barris/dia atingida em abril do ano passado – período mais crítico da contração da demanda por combustíveis, sob o efeito das medidas de isolamento social.
“Estamos trabalhando com a expectativa de exportação [em 2021] de patamares bem próximos aos de 2020”, comentou o executivo.
No ano passado, a Petrobras bateu recorde nas exportações e vendeu no exterior, em média, 713 mil barris diários de petróleo, o que representa aumento de 33% em relação a 2019.
Para 2021, a Petrobras trabalha com meta de produção de óleo e gás de 2,75 milhões de barris diários de óleo equivalente (BOE/dia), patamar abaixo do recorde de 2,84 milhões de BOE/dia de 2020. A expectativa é que a empresa não consiga manter o patamar diante dos desinvestimentos.
Apesar do recorde em 2020, a produção da companhia encerrou o ano em baixa. Isso porque, devido aos impactos da pandemia sobre as atividades a bordo, a Petrobras acabou adiando, para o quarto trimestre, as operações de manutenção previstas inicialmente para o primeiro semestre. Com isso, a produção de óleo e gás da empresa recuou 11,3% no último trimestre do ano, na comparação com igual período de 2019.
De acordo com o diretor de exploração e produção, Carlos Alberto Pereira de Oliveira, algumas das paradas para manutenção previstas para 2020 escorregaram para 2021, mas a expectativa é que não haja impactos na meta de produção. “Trouxemos alguma coisa para 2021, mas fizemos otimizações. Então não temos nenhum impacto, em relação à produção, por termos postergado as paradas de 2020 para 2021. O balanço é zero”, disse.
O executivo destacou, ainda, que em janeiro os níveis de produção já superaram aqueles do quarto trimestre de 2020 – quando foram extraídos 2,68 milhões de BOE/dia. “Por termos tido uma redução das paradas para manutenção e também por termos começado [a produção em] alguns poços, estamos com produção maior em janeiro”, afirmou.