Petroleiras aceleram iniciativas visando a transição energética

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Valor Econômico

As grandes empresas de petróleo vêm ampliando seus investimentos em fontes de energia renováveis e em tecnologias de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) provenientes de combustíveis fósseis.

O processo, iniciado há alguns anos, ganhou força a partir do compromisso da União Europeia de se tornar emissor neutro até 2050, contribuindo para contenção do aquecimento do planeta.

Nesse contexto, a transição energética tem importância relevante. A indústria de óleo e gás responde por 9% de todas as emissões de GEE no mundo, além de produzir combustíveis responsáveis por mais 33% das emissões globais, conforme dados da McKinsey. Diante de tal desafio global, consórcio formado por 12 grandes petroleiras mundiais, OGCI, sigla em inglês para Iniciativa Climática para Óleo e Gás, assumiu compromisso de reduzir suas emissões em até 52 milhões de toneladas por ano em 2025.

As empresas do grupo, que produzem mais de 30% do total da indústria gás e petróleo no mundo, estão investindo cerca de US$ 7 bilhões ao ano em soluções de baixo carbono. Grandes petroleiras europeias como TotalEnergies, Shell, bp, Equinor e a brasileira Petrobras, que fazem parte do OGCI, adotam estratégias próprias, ampliando portfólio em energias renováveis ou desenvolvendo tecnologias que auxiliam na descarbonização. “As empresas europeias têm maior nível de pressão de acionistas e dos governos que as levam a acelerar a transição, além de contarem com um mercado de carbono estabelecido. Mas não há caminho único, cada uma segue a estratégia considerada mais adequada”, diz Clarissa Lins, sócia da Catavento Consultoria, conselheira do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e expresidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).

Algumas optaram por entrar no mercado de geração renovável utilizando expertise própria, outras, adquirindo empresas do setor, como no caso da Equinor. A petroleira investe em geração solar no Brasil a partir da compra de participação na Scatec Solar, a maior do segmento na Noruega, operadora do Complexo Apodi, no Ceará. O projeto tem capacidade de 162 MW e é o primeiro fotovoltaico do portfólio global da companhia. “O Brasil é um de nossos principais mercados em renováveis onshore. Também é interessante para a energia eólica offshore”, diz Raul Portella, VP de operações e tecnologia da Equinor Brasil.

No mundo, o grupo quer atingir capacidade líquida instalada de 16 GW até 2030. Dois terços, em energia eólica offshore. No Brasil, a petroleira avalia o desenvolvimento de projetos de energia solar em parceria com a Scatec e a Hydro, e outro em parceria com a Porto do Açu Operações. No total, incluindo óleo e gás, já investiu US$ 11 bilhões no país e planeja mais US $ 15 bilhões até 2030. A Equinor pretende direcionar cerca de 50% de seus investimentos brutos em 2030 para geração renovável e solução de baixo carbono a fim de se tornar empresa de energia net zero até 2050.

A petroleira bp está desenvolvendo tecnologia voltada para a rota de hidrocarbonetos, buscando otimização do portfólio com aumento dos investimentos em baixo carbono. “Seremos uma empresa muito diferente em 2030”, diz Mario Lindenhayn, head of country bp Brasil. No país, a petroleira tem projetos de energia renovável em andamento, como o da joint-venture bp Bunge Bioenergia, segunda maior do setor sucroenergético nacional e outros dois GWs em projetos solares. Além disso, firmou o acordo com o grupo ECB para adquirir mais de um bilhão de litros de biocombustíveis avançados. O objetivo é ser carbono neutro em 2050. Para tanto, tem metas até 2030. Entre elas, aumentar o investimento anual em energia de baixo carbono para U$ 5 bilhões, em 2030; ampliar a produção de energia renovável, de 2,5 GW, em 2019, para 50 GW, em 2030; elevar em cinco vezes a produção de bioenergia; e ter participação relevante nos mercados de combustível de aviação a partir de fontes renováveis e de hidrogênio.

A Shell, que lançou este ano a marca Shell Energy no Brasil com foco em transição energética, investirá R$ 3 bilhões, no país, até o fim de 2025 em geração renovável. No mundo, tem projetos em expansão terão capacidade de 5,6 GW. A TotalEnergies também atua para se tornar uma das cinco maiores em renovável até 2030, atingindo 100 GW de capacidade instalada em geração solar e eólica no mundo.

No Brasil, desenvolve projetos de cerca de 1 GW. Apesar do cenário, não se pode dizer que o petróleo esteja com dias contados. Mesmo diante da possível redução de participação relativa, o conhecido “ouro negro” representa hoje cerca de 32% da energia do mundo.

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