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Forbes

Os preços do petróleo iniciam a semana em forte queda. Os contratos futuros do tipo Brent recuam 4,7% para US$ 83,8 e os contratos de agosto do petróleo do tipo WTI caem 5,9% para US$ 79,7, abaixo do “nível psicológico” de US$ 80. A baixa das cotações deve-se a dois motivos.

O primeiro é que no domingo (02) Donald Trump sinalizou, sem dar muitos detalhes, um avanço nas negociações dos EUA com o Irã, o que aumentou a expectativa de um novo acordo. Ele afirmou que havia cancelado um ataque planejado contra o Irã após receber um pedido de Teerã e de outros países do Oriente Médio para suspender as hostilidades.

Na mesma data, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo mais a Rússia, entidade denominada Opep+, decidiu elevar a oferta de petróleo em cerca de 188 mil barris por dia a partir de setembro.

A medida da Opep+ teve a concordância dos principais membros da organização: Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã. A decisão conclui a reversão gradual de cortes voluntários na produção de 1,65 milhão de barris por dia, anteriores ao conflito entre Estados Unidos e Irã.

Essa redução havia sido decidida em 2023, quando o grupo ainda incluía os Emirados Árabes Unidos, que deixaram a Opep em maio deste ano.

Devido às interrupções nas exportações do Golfo, da Rússia e do Cazaquistão, causadas pelas guerras no Irã e na Ucrânia, os sucessivos aumentos mensais da Opep+ durante a maior parte deste ano permaneceram praticamente no papel, com pouco impacto no mercado.

Analistas do setor avaliam que o efeito da decisão da Opep+ sobre os preços deve ser limitado no curto prazo, já que o Estreito de Ormuz segue com fluxo restrito. O impacto mais relevante tende a aparecer quando os fluxos de exportação da região se normalizarem. A principal fonte de incerteza nos próximos meses é gerenciar um eventual excesso na oferta que pode ser provocado pela normalização dos fluxos de exportação.

O Brent fechou julho com alta acumulada de aproximadamente 24%, a maior alta mensal desde março, refletindo a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e as interrupções no Estreito de Ormuz.

A Opep+ também realizou uma reunião separada no domingo. O resultado foi uma declaração formal que reiterou a preocupação com os ataques a instalações produtoras de petróleo e outros ativos de energia durante a guerra entre EUA e Israel contra o Irã. A declaração afirmou que os reparos são caros e demorados, prejudicando o fornecimento.

Apesar do aumento da produção previsto para setembro, os países-membros da Opep+ ainda estão produzindo menos do que poderiam. Em 2022 foram decididos cortes na produção de cerca de 2 milhões de barris por dia. Essa redução deve permanecer em vigor até o fim deste ano, apesar de alguns países, como o Iraque, estarem pressionando por cotas individuais mais altas para refletir sua maior capacidade produtiva.

A trajetória do petróleo importa diretamente para as expectativas de inflação nos Estados Unidos. Em junho, o preço da gasolina caiu 9,7% e o índice de energia recuou 5,7%, o maior declínio mensal desde abril de 2020. A trégua então vigente entre Estados Unidos e Irã ajudou a aliviar essa pressão. O conflito voltou a se intensificar em julho, e economistas apontam risco de reversão da melhora nos próximos meses. Uma queda sustentada do petróleo em setembro reduziria esse risco.

Na semana passada, na reunião de julho, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, manteve a taxa básica de juros americana entre 3,50% e 3,75% ao ano, confirmando as expectativas. O Comitê ainda não sinalizou datas para cortes. Um recuo mais consistente do petróleo pode reforçar o argumento dos membros do Fed que veem espaço para reduzir juros a partir de setembro, caso a inflação continue arrefecendo.

No Brasil, haverá nesta semana uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir o novo patamar da Selic, hoje em 14,25% ao ano. Contratos de opção sobre a decisão do Copom negociados na B3 davam, na semana passada, cerca de 78% de probabilidade para um corte de 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Um petróleo mais barato tende a aliviar a pressão sobre o IPCA, ajudando o Banco Central a justificar a continuidade do ciclo de cortes. A expectativa dos investidores é com a edição do Boletim Focus, que poderá mostrar se houve alterações nas expectativas para os próximos cinco meses.

Perspectivas

A queda do petróleo está animando as bolsas. Os contratos futuros dos principais índices americanos e as cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociados em Nova York estão em alta no pré-mercado.

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