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Barril atinge maior valor em um mês com nova escalada da guerra no Irá; dólar avança 0, 48%, para R$ 5, 13, e Bolsa cai 1, 2% apesar de alta das ações da Petrobras

 Jornal Folha de S. Paulo

O preço do barril de petróleo Brent disparou nesta segunda-feira (13) e voltou ao patamar de US$ 83 pela primeira vez desde meados de junho, na esteira do novo acirramento do conflito no Oriente Médio.

A commodity, que iniciou a noite do domingo (12) em alta, acelerou ganhos no meio da tarde de segunda, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que deve cobrar pedágio de 20% sobre toda a carga que passar pelo estreito de Hormuz.

O cenário, na análise dos operadores, é de pressão sobre os fluxos de petróleo que passam pelo canal em direção aos mercados internacionais, impondo riscos sobre a oferta global do insumo.

Os preços do barril Brent no contrato para setembro saltaram para US$ 83,17, um avanço de 9,4% em relação ao valor de fechamento na sexta (10), de US$ 76,01, sob impacto das declarações de Trump.

O valor alcançado nesta tarde é o maior desde 15 de junho, quando o Brent chegou a ser negociado a US$ 85,40, em reação ao cessar-fogo entre EUA e Irã. Foi o início da sequência de queda do petróleo, que caiu à mínima de US$ 71 em 2 de julho, abaixo do patamar pré-guerra.

Além da cobrança de tarifas, Trump afirmou que os EUA vão retomar o bloqueio aos navios iranianos na via marítima.

“Nós vamos manter o controle do estreito e provavelmente administrá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez o anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso”, afirmou o republicano à Fox News.

O Irã, por sua vez, respondeu em um comunicado de seu comando militar conjunto. Afirmou

que não permitirá que os EUA atuem na região e que irá atacar qualquer embarcação que não tiver sua autorização para passar por rotas designadas. Qualquer ajuda dos países vizinhos aos EUA ainda trará retaliações, disse Teerã – o apoio será visto como “um ato de guerra”.

“O mercado voltou a incorporar prêmios de risco aos preços, diante da expectativa de que as exportações de petróleo e derivados da região possam sofrer uma retração”, afirma Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX.

A declaração também causou impacto no mercado financeiro. O dólar fechou em alta de 0,48%, cotado a R$ 5,131.

Já o movimento do petróleo puxou as ações da Petrobras para cima, que chegaram a avançar mais de 3%. A alta da petroleira, porém, não foi capaz de reverter as perdas da Bolsa, que fechou em queda de 1,19%, a 175.739 pontos.

O mercado de juros futuros também foi contaminado pela aversão ao risco, com quase todos os pontos da curva em alta. A taxa de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,005%, avanço de 0,14 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 estava em 14,38%, ganho de 0,12 ponto.

Os DIs ainda pegaram carona na alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os treasuries. O contrato com vencimento em dez anos – referência global para decisões de

investimentos – subiu 0,05 ponto percentual, a 4,613%.

A leitura é que, com o petróleo mais alto, as pressões sobre a inflação aumentam, demandando de bancos centrais de todo o mundo uma política monetária mais restritiva.

“O aumento da incerteza mantém elevados os riscos para a oferta global de energia, a inflação e a atividade econômica”, diz a equipe da XP Investimentos em relatório para clientes.

A retomada dos ataques enterra o acordo de cessar-fogo firmado em junho, que Trump já havia declarado como encerrado na semana passada.

“Os ataques recentes destacam o quão incertas permanecem as exportações do golfo [Pérsico] e que uma reescalada séria poderia reintensificar o risco de alta para os preços do petróleo no curto prazo”, afirma a equipe de analistas de commodities do Goldman Sachs em relatório.

Na quinta-feira (9), a incerteza sobre o mercado energético levou o ministro Dario Durigan (Fazenda) a adiar a retirada do subsídio à gasolina, até então prevista para semana passada.

“O petróleo voltou a subir para US$ 80, e aí temos que adotar com cautela a retirada de subsídio”, afirmou Durigan.

Também na quinta, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) decidiu manter por mais 60 dias o imposto de 12% sobre exportação de petróleo.

“Se tivermos um recrudescimento das tensões e o petróleo voltar a um nível maior do que o das últimas semanas [entre US$ 75 e US$ 80], poderemos ver impactos negativos para a inflação, e aí isso vai dificultar o trabalho do Banco Central. Mas ainda não estamos nesse cenário”, disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Enquanto a situação não piora, os economistas reduziram a previsão para a inflação deste ano pela segunda semana seguida, segundo indicou o boletim Focus nesta segunda.

Os especialistas ouvidos pelo BC esperam uma variação de 5,16% para o IPCA neste ano, uma redução de 0,14 ponto percentual em relação à semana anterior. Leia mais em Mundo

Dubai quer novo porto para reduzir dependência de estreito

A empresa DP World planeja construir um novo porto e um terminal de contêineres na costa leste dos Emirados Árabes Unidos que reduziria a dependência de Dubai de seu principal hub, Jebel Ali, e contornaria o estreito de Hormuz.

A operadora portuária sediada em Dubai negocia o desenvolvimento de um porto multiúso totalmente novo na área costeira de Fujairah e um novo terminal no porto existente no mesmo emirado, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

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