Por que privatizar a Petrobras deixaria a gasolina ainda mais cara

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O Estado de S. Paulo

O presidente da Petrobras+0,95% (PETR3 e PETR4), José Mauro Coelho, renunciou ao cargo na segunda-feira (20) e obviamente existem somente dois motivos para isso: o primeiro pode ser um pedido do presidente Jair Bolsonaro para que ele deixe o cargo de forma honrosa, e o segundo é uma iminente influência do governo federal para reduzir o preço da gasolina e do diesel na marra.

Para acalmar a população, estão propondo uma CPI para investigar a empresa e a possibilidade de privatização. Sinceramente, nunca tinha visto uma CPI ser proposta para investigar uma empresa semiestatal, altamente lucrativa e que segue a mesma política de preços de todas as petrolíferas ao redor do mundo.

O fato é que, ao contrário do que muitos pensam, não é culpa do Bolsonaro o alto preço dos combustíveis, mas em ano de eleição, quando dói no bolso a população precisa culpar alguém e para se reeleger, o presidente por sua vez precisa apresentar uma defesa. Para entender como é composto o preço do combustível, é necessário avaliar três variáveis principais. A primeira é o barril de petróleo, que é o mesmo preço em qualquer lugar do planeta. A segunda é o dólar, pois como toda commodity, o preço é na cotação da moeda americana. A terceira variável são os impostos, tanto os federais, quanto os estaduais, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Petrobras pode ser privatizada?

Diferentemente do que muita gente fala sobre a privatização da Petrobras, esse processo levaria entre três e quatro anos para ser concluído. Além disso, o combustível ficaria mais caro do que está hoje por um simples motivo: o preço da gasolina e do óleo diesel estão mais baratos do que deveriam estar. Isso quer dizer que, na prática, já existe uma interferência do governo para segurar os preços.

O aumento mais recente, na semana passada, só ocorreu porque com a subida do barril de petróleo a diferença ficou insustentável. Coincidência ou não, o aumento aconteceu no meio de um feriado, justamente no período em que as pessoas estão emocionalmente mais desligadas das notícias.

Se a Petrobras fosse privatizada hoje, a gasolina, o diesel e o álcool estariam ainda mais caros. Essa é a dura realidade. A única alternativa é a redução do ICMS ou então um ICMS flutuante, que reduz o percentual cobrado quando os preços sobem. Sou a favor da privatização, pelo ganho de eficiência e transparência, mas dizer que isso deixaria o combustível mais barato é uma grande mentira.

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