Preço do etanol aumenta e chega perto do valor da gasolina

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Jornal Nacional / Rede Globo

E não é só a gasolina – o preço do etanol tem assustado os motoristas.
Não é de hoje que a gasolina está queimando boa parte do orçamento dos brasileiros.
“Não consigo mais encher o tanque. Eu boto de pouco em pouco, assim, porque o preço está variando muito. Não dá para confiar”, contou uma entrevistada.
O que ninguém esperava é ver o etanol quase encostando na gasolina. Em um posto, um dos mais movimentados da Zona Norte do Rio, a diferença de preço entre os dois combustíveis é de apenas R$ 0,60 por litro.
“Sem condições. Está quase o preço da gasolina. Álcool está absurdo – R$ 5,80. Já vi um mais caro: R$ 6,70”, declara um motorista.
“Realmente está exorbitante o valor”, diz outro entrevistado.
Da última semana de dezembro até agora, o valor médio do litro de gasolina nos postos subiu 17% e a variação do etanol, no mesmo período, mais de 22%.
No estado do Rio, já tem posto cobrando R$ 5,69 pelo litro do álcool. No Rio Grande do Sul, R$ 5,59. Rondônia: R$ 5,19. São Paulo: R$ 4,59.
Mas por que o etanol ficou tão caro? Parte da explicação vem do campo. Nós estamos na entre-safra da cana de açúcar e é normal que, nesse período, o preço do álcool aumente na bomba. Agora, essa disparada tem a ver também com a alta no preço da gasolina
“Quando você para em um posto e pede para encher o tanque com gasolina, na realidade você está enchendo o tanque com uma mistura da gasolina pura com o etanol. Quando você tem o aumento do preço da gasolina, você tem aumento, naturalmente, também vai aumentar o preço do etanol, porque eles se juntam, no caso da gasolina, e são competidores, no caso do carro a álcool ou no carro à gasolina”, explicou o professor da PUC-RJ, David Zylbersztajn.
Quando a gasolina sobe muito, a procura pelo álcool cresce, a oferta diminui e o preço aumenta. E essa oferta é ainda mais pressionada, nesse momento, por causa de um outro fator: o dólar alto.
“Nós estamos exportando tanto açúcar quanto etanol. Na medida que a nossa moeda perde valor, tem mais países interessados em comprar produtos no Brasil. À medida que a gente exporta, isso é muito bom para a balança comercial, mas isso também gera um desafio maior para a inflação, porque a gente acaba desabastecendo o mercado brasileiro e aí o preço aqui dentro sobe”, relata o economista da FGV IBRE André Braz.
O contador Ronaldo diz que o orçamento só não está mais pesado porque o carro tem ficado mais tempo na garagem. A família toda está de home office. “Eles na faculdade e eu no trabalho, então não estou saindo muito. Então diminui um pouco e está compensando nesse ponto. Por enquanto, está salvando”, contou.

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