Produção de etanol cai 9% na safra 2020/21 e deve seguir em queda no próximo período

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EPBR

A produção total de etanol no período 2020/21 recuou 8,7% em comparação a 19/20, somando 30,3 bilhões de litros, segundo levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), com resultados da região Centro-Sul do Brasil — cinturão canavieiro.
A queda mais expressiva foi do etanol hidratado, com redução de 11,3%, alcançando 20,6 bilhões de litros. Já a produção de etanol anidro, misturado à gasolina, ficou em 9,6 bilhões de litros, um recuo de 2,6% em relação ao período anterior.
A redução na produção foi resultado das medidas de restrição adotadas durante a pandemia de covid-19, que diminuíram a mobilidade e consequentemente a demanda por combustíveis em 2020.
No fechamento do ciclo 2020/21, o volume de etanol vendido pelas unidades produtoras do Centro-Sul teve retração de 7,49%, chegando a níveis observados em 2018/2019, com cerca de 30,8 bilhões de litros comercializados. O resultado acompanhou a queda, registrada no ano passado, de 8,6% na demanda por combustíveis do ciclo Otto, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“A oferta do biocombustível acompanhou os movimentos na demanda por parte do consumidor final que, devido aos acontecimentos de 2020, reduziu drasticamente a compra de combustíveis”, afirmou o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues.
Ele lembrou que, mesmo assim, o setor produziu volume suficiente para garantir o abastecimento interno e ainda ofertar álcool sanitizante utilizado durante a pandemia de covid-19.

Mais um ano em queda
Para este ano, analistas acreditam que o cenário ainda será de queda, porém um pouco menor, dando indícios de uma pequena recuperação na demanda e oferta.
A safra recém iniciada no cinturão canavieiro deverá produzir 29 bilhões de litros de etanol, retração de 4,7% em relação a 2020/21, de acordo com a StoneX.
“No caso do hidratado de cana, a diminuição no comparativo anual é projetada em 12%, para 16,6 milhões de metros cúbicos (bilhões de litros), volume que em grande parte deve servir para atender a demanda doméstica, apesar das incertezas em relação à retomada no consumo de combustíveis”, afirmou a consultoria.

A retomada da demanda no mercado interno estará atrelada ao PIB e à contenção da pandemia. A StoneX traçou três possíveis cenários com maior ou menor intensidade do crescimento do PIB. Em todos os casos, a procura por combustíveis do ciclo Otto deve se elevar em relação a 2020, mas ainda assim deve ser menor que em anos anteriores.
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Exportação
Se no mercado doméstico ainda rondam incertezas, a produção de etanol pode encontrar espaço nas vendas internacionais, especialmente para os Estados Unidos.
Além do câmbio que favorece as exportações, o etanol brasileiro vem se mostrando mais vantajoso que o americano nas últimas semanas. Na Califórnia, a cotação do barril nacional chegou a ser US$ 0,525 mais favorável que o californiano, muito em razão da incidência dos créditos do LCFS (programa de descarbonização do Estado).
A política de transição de energética e o pacote de estímulos econômicos anunciados pelo presidente Joe Biden também devem alavancar a demanda estadunidense por etanol brasileiro.
“A expectativa de aceleração da retomada econômica do país deve estimular maior consumo de aditivo, o que também é reforçado pelo compromisso do governo Biden com a agenda ambiental”, avalia a StoneX.
As exportações de etanol tiveram crescimento de 40,8% no ciclo 2020/21, com 2,7 bilhões de litros destinados ao mercado externo.

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