Redução no preço da gasolina não deve chegar nas bombas

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Diário do Comércio

A Petrobras reduzirá em cerca de 5% o preço médio da gasolina nas refinarias a partir de sábado (20), no primeiro recuo do combustível fóssil da petroleira deste ano, informou a estatal na sexta-feira (20), após um recuo dos preços do barril do petróleo nesta semana. Porém, a revisão não deverá chegar nas bombas.
O ajuste representa uma queda de R$ 0,14 por litro no valor médio da gasolina nas refinarias, para R$ 2,69 por litro.
O diesel, por sua vez, foi mantido estável nos pontos de venda da empresa, responsável por quase 100% da capacidade de produção de combustíveis do Brasil.
O movimento veio após o petróleo tipo Brent ter fechado com queda de 7% na véspera. Desde 8 de março, o valor de referência já caiu mais de 11%, diante de temores cada vez maiores com o aumento no número de casos de Covid-19 na Europa.
Cristiano Costa, CEO da empresa norte-americana de Trading e Consultoria de Commodities J.Global Energy, afirmou que o ajuste fará com que o preço da gasolina da estatal fique abaixo da paridade de importação.
“Os preços da gasolina e do diesel vêm ambos completamente díspares e fora da paridade de importação há quase um ano. A Petrobras vem tentando perseguir o mercado internacional e não consegue”, disse Costa.
O especialista pontuou que o recuo do preço do petróleo no mercado internacional foi um “soluço”, principalmente devido a novos lockdowns na Europa e a interrupções momentâneas no uso de vacina da AstraZeneca em alguns países europeus.
“O diesel entrou em paridade, graças a esse ajuste internacional (dos preços do petróleo e derivados). E a gasolina, quando entra em paridade, a Petrobras abaixa, mostrando que foi um movimento político”, afirmou o especialista, destacando que o País acaba de elevar a taxa básica de juros, devido a um avanço da inflação.
Para Guilherme Sousa, economista da Ativa Investimentos, o reajuste era aguardado e está exatamente de acordo com o que apresentou o modelo de acompanhamento da defasagem no preço da gasolina da corretora.
“Hoje, a defasagem no preço da gasolina internacional em relação à gasolina doméstica se inverteu e, pela primeira vez em meses, o combustível brasileiro estava mais caro que no mercado internacional até 5%”, disse Sousa, em nota.
Para o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, no entanto, o ajuste feito pela petroleira permitirá que os preços da gasolina fiquem “na faixa da paridade”.
Ao longo dos últimos meses, a Abicom vem afirmando que suas associadas pararam de importar combustíveis, uma vez que não conseguiam competir com os preços praticados pela Petrobras.
Na sexta-feira, Araújo disse que o anúncio de manutenção do valor do diesel foi “coerente”, já que “a volatilidade está muito elevada”.
O repasse do reajuste da gasolina nas refinarias aos consumidores finais nos postos não é garantido, e depende ainda de uma série de questões, como margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de etanol anidro.
Inflação – Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, o valor não deve chegar na bomba.
“Ainda existe um passivo do volume de elevações que não chegou no consumidor. Isso significa que, apesar da queda de hoje relativamente expressiva, a alta que deve chegar às bombas é maior do que a baixa de hoje”, afirmou.
Apesar do corte do preço anunciado pela Petrobras, a gasolina da companhia apresenta avanço de 46% neste ano.
“Esse reajuste para baixo de hoje vai apenas reduzir o montante altista no valor na bomba”.
No entanto, ele pontuou que o movimento foi “positivo” do ponto de vista de controle da inflação.
“Em termos absolutos, se a gente considerar que essa diminuição chegaria nos preços, falamos em uma redução do IPCA de abril de 8 pontos base. Então é relevante, mas deve mitigar o avanço sem entrar em deflação, propriamente dita”, completou Sanchez, que projeta um IPCA de 4,8% até o fim de 2021. (Reuters)

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