Associação de entidades afirma que subvenção favorece importadores em detrimento da produção local do combustível
Folha de S. Paulo
Rio de Janeiro Refinarias privadas estudam ir à Justiça contra a nova subvenção ao diesel importado, anunciada pelo governo na semana passada e criada oficialmente na terça-feira (13). Elas afirmam que o subsídio beneficia importadores em detrimento da produção nacional do combustível.
“Quando dá benefício exclusivo para importação, o governo prejudica as refinarias privadas. O importador passa a ter R$ 0,25 a R$ 0,30 [por litro] de vantagem”, diz o presidente da associação Refina Brasil, Evaristo Pinheiro.
A associação reúne seis refinarias privadas nacionais -quatro delas vendidas pela Petrobras no governo Jair Bolsonaro. Elas são responsáveis por cerca de 20% da produção nacional de diesel e 25% da de gasolina.
Elas questionam duas medidas anunciadas pelo governo na semana passada, em meio à campanha eleitoral: o subsídio adicional de R$ 1,40 por litro para o diesel importado e a isenção de impostos federais sobre a gasolina.
No primeiro caso, alegam que os produtos importados com preço subsidiado tendem a invadir o mercado das refinarias privadas, já que a Petrobras vem operando com preços bem abaixo do mercado internacional.
Na abertura do mercado desta quarta (14), por exemplo, o diesel nas refinarias da estatal custava menos da metade do preço de paridade de importação calculado pela Stonex para a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
“[com as meiddas] O governo prejudica as refinarias privadas. O importador passa a ter R$ 0,25 a R$ 0,30 [por litro] de vantagem
Evaristo pinheiro presidente da refina brasil
“Não conseguimos fazer política de Estado como Petrobras. Para onde o importador vai trazer [combustível]? Para nossas praças. Vai nos deslocar”, afirma Pinheiro.
Como opções, afirma o executivo, as refinarias privadas teriam que reduzir a produção ou exportar diesel. “Qualquer uma dessas alternativas é prejuízo para a refinaria privada e prejuízo para o país.”
Ao anunciar o subsídio adicional, o governo afirmou que os preços internacionais seguem pressionados pela guerra no Irã e que prefere usar parte da receita extra com as exportações de petróleo para minimizar os impactos para o consumidor brasileiro.
A elevada defasagem gera também riscos ao abastecimento interno de diesel, já que cerca de 30% do consumo nacional é atendido por importações.
Nas primeiras etapas da subvenção, a gestão chegou a dar às refinarias privadas benefício semelhante ao dado ao diesel importado. A portaria do novo subsídio, publicada na terça, porém, limita o pagamento a importadores de combustíveis.
Pinheiro diz que as produtoras nacionais de combustíveis também perderão com a isenção dos impostos federais sobre a gasolina, já que não terão para quem repassar créditos dos impostos pagos na compra de petróleo.
A Refina Brasil calcula que a impossibilidade de repassar os créditos gere um custo adicional de R$ 450 milhões por mês ao segmento.