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Fonte: Jornal do Comércio – RS

Na transição para o consumo de fontes limpas e renováveis de energia, como eólica e solar, o País ainda vai consumir uma quantidade significativa de combustíveis derivados do petróleo nas próximas três ou quatro décadas. O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone, estima que, se o País não construir novas refinarias, as importações atuais de derivados vão dobrar nos próximos anos, para um milhão de barris diários, para atender à demanda crescente. A abertura efetiva do setor de refino, hoje com mais de 95% nas mãos da Petrobras, é um dos principais desafios na nova etapa da ANP, que acaba de completar 20 anos de fundação. "Se o País não atrair investimentos para produção de combustíveis (refinarias), vai aumentar nossa dependência de importações. E teremos ainda que ampliar investimentos em logística para trazer o produto de fora", afirmou Décio Oddone. A ANP foi criada com o fim do monopólio do petróleo, a partir da Lei nº 9.478/97, para regular e fiscalizar o setor petrolífero, desde a exploração e produção até ao refino, transporte e distribuição. Nos primeiros 20 anos, houve grande avanço nas áreas de exploração e produção, com a entrada de dezenas de empresas privadas, nacionais e estrangeiras, nessas atividades. Mas, nas áreas de refino e gás natural, por exemplo, apesar de não ser monopólio, a Petrobras continuou dominante. Agora, segundo Oddone, com as dificuldades financeiras da Petrobras, ficou evidente que a estatal não tem condições de investir sozinha em todo o setor como fez no passado. O diretor-geral da ANP acredita que o setor de refino vai atrair investidores privados estrangeiros aos poucos, uma vez que dificilmente a Petrobras voltará a ter os preços dos combustíveis abaixo dos preços internacionais. Atualmente, a estatal já perde mercado para os importadores privados e, se contiver os preços, vai perder mais mercado. Por outro lado, de acordo com Décio Oddone, considerando todos os projetos em andamento, está prevista a entrada em operação de quase 40 novas plataformas nos próximos anos, que elevarão a produção para cerca de 5,5 milhões de barris de petróleo por dia em 2027. "No período de transição, em que o petróleo vai perder espaço para fontes mais limpas, se não explorarmos essa riqueza agora, qual vai ser o seu valor daqui a 20 anos, 30 anos? Tudo indica que será menor", argumenta.

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