Reserva global de petróleo é ‘assustadoramente’ baixa

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Presidente da petroleira estatal saudita Aramco, maior exportadora do mundo, alerta que pressão no setor vai se intensificar

Jornal O Globo

Os estoques de petróleo que protegem o mundo contra choques de oferta tornaram-se “assustadoramente baixos”, colocando os mercados sob risco de uma deterioração maior se o Estreito de Ormuz não for reaberto, afirmou o CEO da estatal petrolífera da Arábia Saudita Aramco, a maior exportadora de petróleo do mundo. Quando a guerra entre os EUA e o Irã começou, o mundo tinha cerca de 10 bilhões de barris de reservas de petróleo, disse Nasser. Esse número caiu para menos de 6 bilhões, dos quais cerca de 10% estão praticamente indisponíveis devido a diversas restrições técnicas, afirmou.

-Até que Ormuz seja totalmente reaberto e a confiança seja restaurada, a realidade do petróleo é que a pressão nas duas pontas, na oferta ena demanda, vais e intensificar. Embora o aperto na oferta de petróleo bruto seja grave, os preços dos combustíveis refinados subiram ainda mais acentuadamente-disse Amin Nasser, poucos dias depois de os governos das maiores economias mundiais anunciarem planos para liberar até cem milhões de barris de petróleo e diesel de suas reservas de emergência, numa tentativa de conter a alta dos custos dos combustíveis, numa decisão após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que avaliava proibiras exportações americanas de diesel para baixar o preço do combustível no mercado americano.

Trump recuou da ameaça após o acordo como G 7 para a liberação de 100 milhões de barris de petróleo e combustíveis, mas o mercado brasileiro acompanha com preocupação o cenário internacional do óleo diesel. Cerca de 25% a 30% da demanda de diesel do Brasil depende das compras externas para complementara produção das refinarias nacionais. Em setembro, a demanda por diesel ficou em cerca de 4,5 milhões de metros cúbicos, e cerca de 80% do diesel importado teve origem nos EUA, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

Para outubro, a participação dos americanos deve permanecer acima de 70%, e a expectativa é que o consumo avance para aproximadamente 4,7 milhões de metros cúbicos. O cenário ainda é considerado confortável para este mês, diz o presidente da Abicom, Sergio Araujo. A produção das refinarias brasileiras e a oferta disponível são suficientes para atender à demanda, mesmo com o aumento provocado pelo período da safra agrícola. O problema, segundo o setor, está mais adiante.

Segundo a Abicom, o preço de venda do diesel pela Petrobras está em torno da metade do valor observado no mercado internacional.

– Não há dúvida de que a Petrobras não vai aplicar qualquer tipo de reajuste neste momento por conta do segundo turno. O mercado já precificou isso e já sabe que não vai acontecer – afirma Araújo.

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