Retomada no consumo de combustível é lenta na AL

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Valor Econômico

Mesmo com a recuperação da demanda, o consumo de combustíveis na América Latina não deve voltar aos níveis anteriores à pandemia de covid-19 em 2021, aponta um relatório inédito da consultoria S&P Global Platts Analytics. De acordo com o estudo, a retomada do consumo de gasolina e diesel na região está lenta e a pandemia ainda gera restrições à mobilidade, especialmente no Brasil e no México, onde a procura por combustíveis está abaixo do esperado.

Para a Platts, a demanda brasileira por gasolina e etanol é “relativamente fraca”. “Com uma taxa persistentemente alta de infecções por covid-19 no país, o risco para nossa perspectiva de demanda é fortemente inclinado para o lado negativo, no curto prazo”, diz a análise. A projeção é que o consumo anual brasileiro de gasolina e etanol cresça de 40 mil a 50 mil barris de gasolina equivalentes por dia em 2021, em média. Ainda assim, a média anual ainda ficaria abaixo dos níveis de 2019.

“O Estado de São Paulo, maior mercado de combustíveis do país, está travado desde 6 de março, o que abalou as perspectivas de recuperação mais ágil da demanda por gasolina e etanol no país no curto prazo”, diz o estudo.

Para o diesel, as perspectivas são melhores. Segundo a Platts, o consumo mensal brasileiro em fevereiro já estava acima dos níveis do mês em 2020, com perspectiva de suporte adicional nos próximos meses, devido ao aumento das atividades de colheita da cana-de-açúcar, escoada principalmente por rodovias. A consultoria aponta, no entanto, que o país vive um aumento das pressões econômicas devido à crise de saúde. A Platts vê preços “relativamente altos” para o diesel na bomba, aumento acelerado da inflação e altas taxas de desemprego no país, o que pode afetar o consumo do combustível.

O Brasil é o maior mercado para o diesel na América Latina e, nos últimos meses, tem ajudado na recuperação da demanda na região. Para o restante do ano, a expectativa é de uma trajetória ascendente no consumo latino-americano. “Ainda assim, há uma série de riscos que podem impactar nossas perspectivas, incluindo o nível relativamente alto de preços do petróleo bruto e produtos refinados, falta de pacotes de estímulo econômico em toda a região, altos níveis de desemprego e altas taxas de infecção de covid”, diz a Platts.

A projeção é de que a demanda média latino-americana no segundo trimestre do ano seja de 2,42 milhões de barris de petróleo por dia (barris/dia) para gasolina e biocombustíveis e de 2,58 milhões de barris/dia para diesel. Ambas as projeções são maiores do que os volumes registrados no segundo trimestre de 2020, mas ainda estão abaixo dos volumes do período em 2019. No caso da gasolina e dos biocombustíveis, a demanda projetada para os meses de abril a junho está 255 mil barris/dia abaixo do registrado há dois anos, enquanto para o diesel os volumes são 130 mil barris/dia menores.

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