RN Logística investirá R$ 10 milhões em veículos elétricos e a gás em 2021

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Estadão

Veículos elétricos e a gás estão na pauta do dia na RN Logística. Assim, a empresa virou a chave para o transporte com menos emissões antes da concorrência. Ao menos é isso que afirma seu diretor comercial, Rodrigo Alves Navarro. Segundo ele, a transportadora foi uma das primeiras do Brasil a perceber que investir em veículos elétricos e a gás pode ser um bom negócio.
Sobretudo porque há clientes que procuram por transporte mais “verde”. O objetivo é cumprir metas de redução de emissões em operações globais. Segundo o executivo da RN, tudo começou com a Nestlé, um de seus principais clientes, que solicitou uma solução desse tipo.
Assim, Navarro propôs que o transporte fosse feito com veículos elétricos. Portanto, o projeto teve início com a compra de comercias leves da BYD. Em seguida, vieram os caminhões da JAC Motors. Logo depois, a empresa comprou caminhões da Scania. Eles não são elétricos – têm motores a gás.
Agora, a RN está de olho no e-Delivery, caminhão elétrico que a VWCO lançará em breve no Brasil. Em entrevista ao Estradão, Navarro conta que a empresa investirá R$ 10 milhões em novos veículos “verdes” até o fim de 2021. Porém, ele diz que “ir por esse caminho não é nada fácil. Todos querem alcançar a sustentabilidade, mas poucos estão dispostos a investir”. Confira a íntegra da conversa:

Trajetória começou em 2016
Quando e por que a RN começou a apostar em veículos com propulsão alternativa ao diesel?
Foi em 2016, em um projeto com a Nestlé Nespresso. O cliente exigiu um projeto voltado à inovação. Lembro que ainda não pensávamos muito sobre sustentabilidade. Contudo, ao iro ao Rio de Janeiro ver os Jogos Olímpicos, vi um veículo elétrico da concorrência prestando serviço.
Vi que se tratava de um exemplo de inovação. Apresentamos essa solução, que foi muito bem recebida pela Nestlé. Foi quando percebemos que poderíamos iniciar um bom negócio. Além de ser positivo para o meio ambiente, o tema sustentabilidade pode gerar bons negócios.
A primeira compra foi de um caminhão elétrico?
Foi uma van elétrica da BYD. Ela tinha área de carga de 3 m³, capacidade para levar 740 kg e autonomia para rodar até 250 km.
A compra foi uma decisão da RN ou para atender o pedido de um cliente?
A iniciativa foi nossa. Apresentamos esse projeto de inovação e tomamos essa atitude para mostrar que tínhamos um projeto voltado à sustentabilidade.
Quais clientes são atendidos pela RN com caminhões elétricos e a gás?
Esses veículos atendem diversos clientes. Ou seja, o público é pulverizado. Alguns deles são Nestlé, L’Oréal, Via Varejo, B2W e Amazon, por exemplo.
O investimento nesse tipo de veículo é apenas da RN ou em conjunto com o embarcador?
Todo o investimento é feito pela RN. Ou seja, o cliente não tem nenhuma participação. A única coisa que exigimos para fazer o transporte com esses veículos é que o contrato tenha prazo longo. Ou seja, entre 36 e 60 meses. Evidentemente, isso depende do tamanho do investimento necessário.
Virada de chave
O que mudou para a RN após o início da oferta de veículos ‘verdes’?
Eu não posso dizer quanto, mas o faturamento aumentou. A grande questão é que todo mundo quer ser sustentável, mas poucos estão dispostos a pagar por isso. Muitos clientes ainda se baseiam no custo do transporte com veículos convencionais.
Assim, as negociações acabam sendo mais duras e difíceis. Vender projetos de sustentabilidade ainda é um grande desafio no mercado brasileiro.
Qual é o tamanho da frota ‘verde’ e quanto a RN investiu para ter esses veículos?
A frota da RN tem 50 veículos elétricos. Desse total, boa parte são vans da BYD e caminhões da JAC. Também temos 12 caminhões Scania a gás. Aliás, o maior investimento foi feito nesses modelos. No total, já investimos cerca de R$ 20 milhões em veículos elétricos a gás.
Infraestrutura

A rede de recarga de elétricos ainda é pequena no País. Como a RN lida com isso?
Normalmente o veículo já vem com carregador. Além disso, em geral utilizamos a infraestrutura do próprio cliente. Ou seja, a recarga pode ser feita em uma rede convencional de 220 volts.
Portanto, essa recarga é demorada. Porém, se o cliente quiser um carregamento rápido, o custo vai aumentar um pouco. Seja como for, o investimento está previsto no contrato da RN com o cliente.
E o reabastecimento dos caminhões a gás?
Temos todos os postos de abastecimento a gás do Brasil mapeados. Além disso, essa frota é mais focada em operações na região Sudeste, onde há boa oferta de postos com GNV. Nesse sentido, o Rio de Janeiro concentra o maior número de pontos com biometano.
Mas esse produto logo estará disponível em São Paulo, por exemplo. Outro desafio diz respeito ao tempo de reabastecimento. Em postos que não têm o bico rápido, o processo demora mais.
O gás ainda tem muito a crescer e a evoluir no Brasil. Pessoalmente, acredito que o governo federal deveria investir mais para essa situação melhorar.
Investimentos
Qual é o tamanho total da frota da RN?
Temos 200 veículos. Como eu havia dito, 50 são alternativos e 150 a diesel. Dos alternativos, 12 são a gás e 38 são elétricos.
A RN pretende aumentar o tamanho da frota ‘verde’?
Sem dúvida. Pretendemos ampliar essa frota em pelo menos em 50% até o fim de 2021. Ou seja, vamos comprar mais uns 30 veículos. A previsão é comprar outros cinco ou seis caminhões a gás.
Contudo, pode ser que esse número seja ainda maior. Isso porque acreditamos que a demanda está um pouco reprimida. E que os negócios devem crescer no próximo semestre.
Contudo, volto a ressaltar que muitas empresas querem esse tipo de veículo. Porém, há poucas que, de fato, estão dispostas a pagar por isso.
Em valores absolutos, qual será o total do investimento?
A previsão é de cerca de R$ 10 milhões. Porém, tudo vai de depender do fechamento de novos negócios. Se tudo der certo, esse montante será investido ainda em 2021.
Vale a pena trocar toda a frota convencional por veículos com propulsão alternativa ao diesel?
Não dá para responder isso ainda. Mas quando falamos de sustentabilidade, esse é o caminho seguro. O problema é que o investimento é muito alto. A RN vem avançando nessa direção. Como começamos primeiro, estamos sofrendo mais.
Quem começar lá na frente terá vantagens. Ou seja, a infraestrutura estará montada, assim como a rede de atendimento. Seja como for, vamos colher os frutos como referência nesse processo.
O que uma empresa que queira ingressar nesse caminho deve fazer?
No caso do embarcador, é preciso vontade e atitude. A empresa tem de estar disposta a abrir mão de resultados imediatos. Ou seja, deve pensar nos frutos que vai colher lá na frente. No caso do transportador, ele não pode pensar em uma margem de lucro muito alta em um primeiro momento.
Como é a operação da Via Varejo?
Para esse projeto vamos trabalhar apenas com vans elétricas. Serão 20, sendo que dez já estão em operação e outras dez começam a operar em julho.
Ou seja, estamos falando de investimentos na casa dos R$ 5 milhões. Pretendemos expandir esse tipo de solução para todo o Brasil. Só para a Via Varejo devemos chegar a 50 veículos até o fim do ano.
A RN pretende ter o novo caminhão elétrico VW e-Delivery na frota?
O problema é que o caminhão não sai. Estamos esperando o momento para poder falar com eles (VWCO). Assim que eles estiverem com a linha de produção funcionando e tiverem o volume de que precisamos, devemos comprar, sim.

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