Silva e Luna é oficializado no Conselho de Administração da Petrobras

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Poder 360

O Conselho de Administração da Petrobras elegeu em reunião nesta 2ª feira (12.abr.2021) o general Joaquim Silva e Luna para o cargo de membro de Conselho de Administração. O ex-diretor-geral da Itaipu Binacional foi indicado ao posto pelo presidente Jair Bolsonaro em substituição a Roberto Castello Branco.

Segundo a empresa, a entrada de Silva e Luna na presidência da empresa será votada nos próximos dias.

O mandato é até 2022. A indicação já havia sido aprovada pelo Comitê de Pessoas da Petrobras. Silva e Luna assume sob a atenção do mercado, que teme interferências políticas na estatal. Logo depois da indicação, o general falou que a estatal deve estar ‘totalmente incluída na sociedade’ e ‘enxergar as questões sociais’, como espera Bolsonaro (leia mais abaixo).

Além de Silva e Luna, outros 7 conselheiros foram aceitos para compor o colegiado. No começo de março, 4 membros pediram para deixar seus cargos. O Conselho de Administração é formado por 1 presidente e 10 conselheiros, sendo 6 deles do bloco do acionista controlador (o governo federal). Os 4 membros que pediram para sair fazem parte do bloco.

Saiba quem são os novos membros, além do próprio Silva e Luna:

Ana Silvia Corso Matte – advogada, foi diretora de Recursos Humanos no Jornal do Brasil, CSN, Sendas e Telsul. De 2006 a 2012 foi diretora estatutária de Gente C-Level na Light. Desde 212 atua como consultora em gestão, sendo sócia-diretora da Ana Silva Matte Consultoria em Gestão. Foi conselheira da Cemig, Renova Energia e na startup Superjobs. Também trabalhou no Comitê de Pessoas e Governança da Vale.

Cynthia Santana Silveira – engenheira elétrica, tem trajetória profissional na indústria de óleo e gás. Atuou na operadora francesa Total por 17 anos. De 2004 a 2015, foi diretora executiva de Gás e Eletricidade da companhia. Foi diretora executiva eleita no IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Desde 2015 é consultora independente da Exergia Consultoria e Projetos. Foi conselheira da TAG (Transportadora Associada de Gás), TBG (Transportadora Brasileira Gasoduto Bolícia) e TSB (Transportadora Sulbrasileira de Gás).

Murilo Marroquim de Souza – geólogo com mestrado em geofísica pela Universidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos. Atuou na Petrobras entre 1971 a 1994. Foi gerente geral da IBM na Unidade de Soluções para Indústria de Petróleo na América Latina. Foi presidente da Devon Energy do Brasil. Atualmente, preside a Visla Consultoria de Petróleo.

Sonia Julia Sulzbeck Villalobos – bacharel em administração pública e mestre em administração de empresas. Foi membro do Conselho de Administração da Petrobras de maio de 2018 até julho de 2020, eleita por acionistas detentores de ações preferenciais. Desde 2016, é professora do Insper. Atualmente, é integrante do Conselho de Administração da Telefônica do Brasil e da Latam Airlines Group S.A.

Márcio Andrade Weber – engenheiro civil, com especialização em engenharia de petróleo pela Petrobras. Ingressou na Petrobras em 1976 onde trabalhou por 16 anos. Foi membro da Diretoria de Serviços da Petrobras Internacional e diretor da Petroserv S.A.

Marcelo Gasparino da Silva – advogado, com especialização em administração tributária empresarial. Professor da Fundação ENÁ ( Escola de Governo) para certificação de administradores de empresas estatais e sociedades de economia mista. Membro do conselho da Vale e Cemig, e é membro do Conselho Fiscal da própria Petrobras.

Dos 8 indicados para o próximo mandato, 2 já integram a atual gestão do Conselho de Administração da companhia e tiveram a nomeação aceita novamente:

Eduardo Bacellar Leal Ferreira – almirante de esquadra da reserva, foi comandante da Marinha do Brasil até janeiro de 2019. Fez cursos de pós-graduação na Escola de Guerra Naval do Brasil e na Academia de Guerra Naval do Chile. Foi eleito presidente do Conselho de Administração da Petrobras com 75,68% dos votos.

Ruy Flaks Schneider – oficial da reserva da Marinha, é engenheiro industrial mecânico e de produção. Fundou o Departamento de Engenharia Industrial da PUC-RJ. Atualmente, presidente do Conselho de Administração da Eletrobrás e da Liga da Reserva Naval do Brasil.

Outros 2 indicados tiveram os nomes rejeitados pelo Comitê de Pessoas da petroleira. Em entrevista ao jornal O Globo, Leonardo Antonelli, candidato à reeleição do conselho, afirmou ter pedido para retirar a candidatura.

QUEM É SILVA E LUNA

Joaquim Silva e Luna tem 71 anos. Estava desde fevereiro de 2019 no comando de Itaipu. Um dia antes da troca, Bolsonaro elogiou a gestão dele na estatal por causa dos altos investimentos feitos pela companhia.

Antes de Itaipu, Silva e Luna ocupou o cargo de ministro da Defesa no governo de Michel Temer (26.fev.2018-1º.jan.2019). Foi o 1º militar a liderar a pasta desde a redemocratização.

O general tem pós-graduação em Política, Estratégia e Alta Administração do Exército pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Também é pós-graduado, pela Universidade de Brasília, em Projetos e Análise de Sistemas.

Durante a carreira no Exército, Silva e Luna comandou o 6º Batalhão de Engenharia de Construção (1996-1998), em Boa Vista (RR), e a 16ª Brigada de Infantaria de Selva (2002-2004), em Tefé (AM).

Em Brasília, foi diretor de patrimônio (2004-2006), chefe do gabinete do comandante do Exército (2007-2011) e chefe do Estado-Maior do Exército (2011-2014).

Também participou da Missão Militar Brasileira de Instrução no Paraguai e atuou como adido em Israel de 1999 a 2001.

ENTENDA A TROCA

O começo do ano esquentou a discussão a respeito da política de preços da Petrobras. A companhia considera o valor do petróleo no mercado internacional e a variação da taxa de câmbio entre os fatores que influenciam quanto será cobrado nas refinarias. Ao valor do combustível vendido pela petroleira adicionam-se impostos federais e estaduais, custos para compra e mistura de etanol anidro, além das margens das distribuidoras e postos de combustíveis.

Enquanto importadores de combustíveis afirmavam haver defasagem no preço cobrado pela estatal brasileira em relação ao mercado internacional, caminhoneiros ameaçavam fazer greve por conta, principalmente, do valor do diesel.

Em 7 de fevereiro, a Petrobras emitiu nota defendendo sua política de preços. No dia seguinte, os reajustou. Uma semana antes, em meio à pressão dos caminhoneiros -base eleitoral de Bolsonaro em 2018-, o então presidente da Petrobras, Castello Branco, disse que não jogaria o preço do combustível ‘para cima e para baixo’ e que o problema não era da estatal.

Bolsonaro pediu que os caminhoneiros não parassem e retomou o estudo de medidas já anunciadas anteriormente: o envio de projeto de lei a respeito da incidência de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), um imposto estadual, sobre o combustível. E assim o fez.

Na 5ª feira (18.fev), a Petrobras anunciou um novo reajuste: 0 2º do mês e 4º do ano. Bolsonaro, então, retomou as declarações de Castello Branco. ‘Como disse o presidente da Petrobras, há questão de poucos dias, né, ‘eu não tenho nada a ver com caminhoneiro, eu aumento o preço aqui, não tenho nada a ver com caminhoneiro’. Foi o que ele falou, o presidente da Petrobras. Isso vai ter uma consequência, obviamente’, disse. No dia seguinte, o demitiu.

Em relação aos preços, o chefe do Executivo federal também anunciou duas medidas: 1) zerar por 2 meses, a partir de primeiro de março, os impostos federais (PIS e Cofins) que incidem sobre o diesel; 2) zerar tributos federais sobre o gás de cozinha definitivamente.

Sobre Silva e Luna e a futura administração da Petrobras, Bolsonaro declarou mais de uma vez que não pretende interferir na estatal, mas pediu que as estatais tenham ‘visão do social’ e ‘previsibilidade’. Ao mesmo tempo, citou a possibilidade de mudança na política de preços da companhia.

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