EIXOS
O anúncio de um acordo de cessar-fogo de duas semanas na Guerra do Oriente Médio na noite de terça-feira (7/4) não foi suficiente para garantir a retomada do trânsito de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, o que indica que a volatilidade nos preços do barril vai persistir.
- O Irã manteve a rota completamente fechada e forçou os navios petroleiros que estavam no estreito a retornarem para os portos, segundo informou a mídia estatal iraniana Press TV. (Valor Econômico)
- Mais cedo, agências internacionais noticiaram que duas embarcações chegaram a transitar pelo estreito na manhã de quarta, mas o fluxo foi interrompido novamente após bombardeios de Israel ao Líbano (O Globo)
- Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Líbano não fazia parte do acordo de cessar-fogo (G1).
A expectativa de uma retomada no tráfego na região fez os preços do petróleo despencarem na manhã de quarta (8). O contrato do Brent com vencimento em junho de 2026 operava com queda de 14,7%, cotado a US$ 93 às 8h30.
- Os preços encerraram o dia na maior queda em seis anos. No fechamento, o Brent para junho encerrou em baixa de 13,3% (US$ 14,52), a US$ 94,75 o barril.
No entanto, a expectativa de redução nas cotações é limitada: analistas alertam que o acordo para interromper o conflito é frágil e que a volatilidade deve seguir até o fim de 2026.
- O pesquisador da FGV Energia, João Victor Marques, afirma que as incertezas geopolíticas permanecem e que o uso do bloqueio ao Estreito de Ormuz como ferramenta de guerra continuará impactando o mercado.
- Mesmo em uma eventual reabertura, as companhias de navegação devem testar a rota com cautela, com percursos limitados ou experimentais, mantendo os prêmios de risco elevados, segundo a analista de petróleo da Argus, Sarah Raffoul.
- Leia também: Ex-chefe da Defesa de Trump não vê saída a curto prazo para guerra no Oriente Médio.
O próprio mercado reconhece que a turbulência vai seguir. O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), Willie Walsh, afirmou que o cessar-fogo não deve trazer alívio imediato para o setor aéreo.
- Walsh disse que, mesmo com a eventual reabertura do Estreito de Ormuz, levará “meses” para que a oferta de querosene de aviação (QAV) volte ao normal, em razão dos danos à capacidade de refino no Oriente Médio.
Grandes petroleiras, como ExxonMobil e Shell, tiveram impacto físicos na capacidade de produção de petróleo e gás devido à guerra, o que vai seguir restringindo a oferta mesmo após o eventual fim do conflito.