Folha de S. Paulo
Levantamento de empresas do setor de combustíveis, obtido pela coluna, mostra que o volume vendido por quatro usinas de etanol descredenciadas pela Secretaria da Fazenda de São Paulo cresceu 46% entre janeiro e julho de 2026. A comparação é com o mesmo período do ano passado.
As usinas Itajobi Açúcar e Álcool, Usina Carolo, Usina Rio Pardo e Comanche Biocombustíveis de Santa Anita aparecem citadas na Operação Carbono Oculto, que investiga fraudes no mercado.
Em crise financeira, a Itajobi busca reestruturação para dívida de R$ 3,7 bilhões. A Usina Carolo anunciou a suspensão de atividades em março deste ano.
Itajobi e Usina Rio Pardo, procuradas pela coluna por email e telefone na tarde desta quinta-feira (3), não responderam até o momento. Carolo e Comanche não foram encontradas.
O descredenciamento altera a dinâmica do recolhimento de impostos. A responsabilidade tributária é diferida para a etapa seguinte da cadeia. Neste caso, as distribuidoras. A preocupação das autoridades tributárias é que essas distribuidoras podem ser ‘barrigas de aluguel’, empresas fictícias criadas apenas para não pagar os tributos.
Na região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, 23 mandados de busca e apreensão da Cabono Oculto se concentraram no polo sucroenerético.
O levantamento foi feito porque companhias que atuam regularmente veem o risco de aumento ainda maior do volume movimentado dentro desse regime. Também alertam para o risco de assimetria concorrencial entre as credenciadas pela Secretaria da Fazenda e outras descredenciadas. O potencial de perda arrecadatória, segundo entidades do segmento, é de até R$ 602 milhões por ano.
Os responsáveis pelo estudo reivindicam a suspensão de benefícios a agentes não credenciados, impedindo que eles transfiram sua responsabilidade de impostos para as distribuidoras.