A Acelen, responsável pela operação da Refinaria de Mataripe, reajustou os preços de combustíveis vendidos na Bahia, segundo nota divulgada pelo Sindicombustíveis Bahia. De acordo com a entidade, o diesel S-10 registrou aumento de R$ 0,7046 por litro no produto misturado, enquanto o diesel S-500 subiu R$ 0,8746 por litro. Para a gasolina A, a elevação informada foi de R$ 0,1025 por litro.
O reajuste ocorre no momento em que o Governo Federal instituiu uma nova subvenção econômica de R$ 1,00 por litro de óleo diesel A, destinada a produtores e importadores que aderirem ao mecanismo previsto na Medida Provisória nº 1.391/2026. A medida foi regulamentada pela Portaria MF nº 2.813/2026, publicada em edição extra do Diário Oficial da União em quarta-feira (16/09/2026).
Segundo o Sindicombustíveis Bahia, até a divulgação da nota, não havia posicionamento da Acelen sobre eventual adesão ao mecanismo federal. A entidade sustenta que a definição poderá ter efeitos sobre a formação dos preços do diesel no mercado baiano e sobre a relação comercial entre refinaria, distribuidoras e postos.
A MP nº 1.391, de 11 de setembro de 2026, autoriza a União a conceder subvenção econômica aos produtores e importadores de óleo diesel e suas correntes enquanto persistir a instabilidade na oferta de combustíveis associada a conflitos geopolíticos. A norma prevê adesão dos agentes econômicos autorizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A regulamentação estabeleceu inicialmente R$ 1,00 por litro para o diesel A, com aplicação por 30 dias, admitida prorrogação por igual período. O mecanismo é adicional às subvenções anteriormente instituídas para o combustível e busca reduzir a transmissão de oscilações externas para o mercado doméstico.
A Petrobras informou adesão ao programa e anunciou, a partir de quinta-feira (17/09/2026), um ajuste nominal de R$ 1,00 por litro no diesel A vendido às distribuidoras, acompanhado de desconto de igual valor decorrente da subvenção. Segundo a estatal, a combinação das duas operações mantém inalterado, nesse componente, o preço líquido cobrado das distribuidoras durante a vigência do mecanismo.
Na avaliação do Sindicombustíveis Bahia, a análise dos reajustes deve considerar todas as etapas da cadeia de comercialização. Os postos revendedores encontram-se na etapa final do processo, depois da produção ou importação, venda pelas refinarias e fornecimento das distribuidoras.
A entidade afirma que os estabelecimentos compram o combustível das distribuidoras e precisam administrar estoques, capital de giro, carga tributária e despesas operacionais, mas não participam da definição dos preços cobrados na origem pela refinaria.
Com esse argumento, o sindicato sustenta que reajustes realizados nas etapas anteriores não podem ser automaticamente atribuídos aos postos revendedores. O preço efetivamente encontrado nas bombas também pode variar em função de estoque adquirido anteriormente, custos logísticos, tributos, margens comerciais e condições concorrenciais de cada mercado.
Outro ponto levantado pelo Sindicombustíveis Bahia refere-se à concorrência com mercados de estados que fazem divisa com a Bahia e são abastecidos por unidades vinculadas à Petrobras. Segundo a entidade, a existência de políticas comerciais diferentes entre refinadores pode resultar em condições distintas de aquisição pelas distribuidoras e revendedores.
O sindicato relaciona essa diferença ao novo mecanismo federal de subvenção. Como a Petrobras confirmou participação no programa, a entidade afirma que a eventual ausência de adesão da Acelen poderá ampliar diferenças de custos entre o mercado baiano e regiões abastecidas pela estatal. A avaliação sobre perda de competitividade é uma posição do Sindicombustíveis Bahia e dependerá, entre outros fatores, dos preços efetivamente praticados pelos fornecedores e dos repasses ao longo da cadeia.
Em abril de 2026, o Jornal Grande Bahia já havia noticiado outro reajuste realizado pela Acelen, quando a gasolina teve aumento de R$ 0,39 por litro na Refinaria de Mataripe. Na ocasião, o Sindicombustíveis também apontou diferenças entre a política comercial da refinaria baiana e os preços praticados em outras regiões.
Os aumentos praticados na refinaria não significam necessariamente repasse imediato e integral do mesmo valor às bombas. Entre a saída do combustível da unidade produtora e a venda ao consumidor existem etapas de distribuição, mistura obrigatória, logística, tributação, estoques e margens comerciais.
No caso do diesel, a nova política federal acrescenta outro elemento à formação do preço. O Ministério da Fazenda informou que os agentes participantes do programa deverão deduzir do preço de venda o valor correspondente à subvenção e registrar o desconto na documentação fiscal. A ANP ficará responsável pela habilitação, acompanhamento dos preços e operacionalização do benefício.
O Sindicombustíveis Bahia defende, diante desse cenário, acompanhamento dos preços praticados pela refinaria, distribuidoras e postos, além da atuação dos órgãos públicos responsáveis pela regulação e fiscalização. A evolução dos valores cobrados ao consumidor dependerá dos próximos movimentos da cadeia e, no caso do diesel, da eventual decisão da Acelen sobre participação no programa de subvenção.
A Refinaria de Mataripe ocupa posição relevante no abastecimento da Bahia e é operada pela Acelen desde a transferência da antiga Refinaria Landulpho Alves, anteriormente pertencente à Petrobras. Desde então, seus preços seguem política comercial própria.
O novo reajuste ocorre em um período no qual o Governo Federal mantém diferentes mecanismos voltados à redução dos efeitos das oscilações internacionais dos combustíveis. Em setembro, além da subvenção ao diesel, foram anunciadas alterações tributárias relacionadas à gasolina e ao etanol, diante da volatilidade do mercado internacional de petróleo.
Os próximos pontos a serem acompanhados são eventual adesão da Acelen à subvenção de R$ 1,00 por litro, comportamento dos preços nas distribuidoras, nível de repasse aos postos e evolução dos valores cobrados ao consumidor baiano.