Gasolina sem etanol pode voltar a ser vendida no Brasil; veja propostas

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O Estado de S.Paulo

A gasolina E32 — com 32% de etanol anidro na composição — começou a ser vendida nos postos brasileiros em 2026. A mudança, no entanto, gerou forte contestação e acendeu o alerta em proprietários de veículos antigos, modelos de coleção e carros sem tecnologia flex.

Por conta do impasse, novos projetos de lei tramitam em Brasília (DF) para obrigar os postos a oferecerem opções com menor teor de álcool vegetal ou até a gasolina totalmente pura (E0).

As propostas visam proteger a frota de veículos não flexíveis, estimada em cerca de 30 milhões de unidades no país.

Como o excesso de etanol afeta a mecânica dos motores?

A insatisfação de motoristas e mecânicos tem base na própria química do etanol anidro. Por ser uma substância altamente higroscópica, o biocombustível absorve a umidade do ar para o interior do reservatório.

Em carros sem motor flex ou que passam longos períodos parados, essa água acumulada provoca a oxidação do tanque metálico e acelera o desgaste de bombas de combustível, velas, agulhas e mangueiras. Além disso, o menor poder calorífico do álcool reduz a eficiência energética em motores a gasolina, aumentando o consumo e os custos de rodagem.

Quais são as propostas na Câmara?

O Projeto de Lei 2.783/2026, de autoria do deputado Fernando Máximo (PL-RO), ganhou força após a alteração do percentual para 32%. A proposta altera a Lei 8.723/1993 para garantir a venda de gasolina pura nos postos.

O parlamentar argumenta que o país precisa atender aos veículos incompatíveis com o biocombustível. A justificativa cita dados da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), que emitiu alertas sobre os danos causados pela nova mistura.

Outra iniciativa é a Ideia Legislativa 227319, que espelha o modelo norte-americano e já reúne mais de 20 mil assinaturas no portal e-Cidadania. O texto sugere que os postos comercializem as versões E0 (pura) e E10 (com no máximo 10% de etanol).

Por fim, o Projeto de Lei Complementar 249/2026, do deputado Messias Donato (União-ES), autoriza os Estados a permitirem a venda das opções E0 e E10 conforme a demanda local.

Por que nossa gasolina contém etanol na mistura?

A adição de etanol à gasolina brasileira não é recente. A prática começou na década de 1930 para reduzir a dependência das importações de petróleo e apoiar o setor sucroalcooleiro. O movimento ganhou escala global nos anos 1970 com a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), desenvolvido para conter os impactos das crises mundiais do petróleo no orçamento do país.

Além do fator histórico e econômico, o etanol anidro cumpre papéis fundamentais no combustível moderno. O composto atua como um antidetonante natural, substituindo aditivos tóxicos como o chumbo tetraetila para aumentar a octanagem da gasolina. Do ponto de vista ambiental, o biocombustível ajuda a reduzir as emissões de monóxido de carbono e gases de efeito estufa, alinhando a matriz energética nacional às metas globais de descarbonização.

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