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Fonte: O Estado de S. Paulo
(Editorial) A faxina do lixo e dos escombros acumulados na era petista continua sendo feita pela nova administração da Petrobrás, como comprovam as contas do terceiro trimestre. O trabalho de limpeza e de arrumação prossegue com novas baixas de ativos. A herança da corrupção e da interferência política na gestão da empresa explica boa parte do prejuízo de R$ 16,46 bilhões inscrito nas demonstrações financeiras do período de julho a setembro. A estatal havia lucrado R$ 370 milhões no trimestre anterior. Muitos devem ter visto esse ganho, ainda modesto, como primeiro sinal de uma nova fase de lucros e de dividendos crescentes. O último balanço até poderia ter mostrado algum resultado positivo, se os diretores pudessem evitar o corte contábil de R$ 15,71 bilhões.
Com o esforço de recuperação, a geração de caixa, de R$ 21,6 bilhões, foi 6% maior que a do segundo trimestre e superou por quase 40% a de um ano antes, graças, em boa parte, à redução de custos e ao crescimento da produção de petróleo e de gás natural. Medido em reais, o endividamento líquido caiu 17%, de R$ 392 bilhões para R$ 325,5 bilhões.
Como consequência, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) passou de 5,31 vezes para 4,07. O objetivo oficial dos novos administradores é levar essa relação para 2,5 vezes, no máximo, até o fim de 2018. Eles trabalham para livrar a empresa do título, recebido há alguns anos, de petroleira mais endividada do mundo. O problema seria menos grave se esse endividamento tivesse resultado em ganhos de produção e de produtividade e em melhores perspectivas, mas o efeito foi o oposto.
A reavaliação dos ativos, com grandes baixas contábeis, foi mais um passo para dar realismo às demonstrações financeiras da empresa, torná-las mais transparentes e, enfim, avançar no ajuste de contas com o passado de erros, desmandos e corrupção. As baixas decorreram em parte de fatores típicos de mercado, como as mudanças cambiais e as variações do preço do petróleo. Mas a maior parte da revisão de valores de alguma forma refletiu investimentos mal planejados e mal conduzidos, como a Refinaria Abreu e Lima, de Pernambuco, e o Complexo Petroquímico de Suape.
Além disso, a taxa de desconto aplicada na reavaliação de ativos foi afetada pelo rebaixamento da nota de crédito pelas principais agências de classificação de risco. O rebaixamento ocorreu no final do governo da presidente Dilma Rousseff, em consequência de vários erros e desmandos na condução da política econômica, especialmente na área fiscal. Nesse período, o crédito soberano perdeu o grau de investimento e foi reduzido ao grau especulativo. A redução de status foi estendida às estatais, mas a má administração da Petrobrás já seria suficiente para prejudicar sua imagem.
Além de rebaixar o valor contábil de ativos de produção, como campos de petróleo e gás e refinarias, os administradores tiveram de registrar custos derivados de outros problemas ocorridos na gestão petista. Foi criada, por exemplo, uma reserva de R$ 1,18 bilhão para gastos com acordos em ações judiciais em Nova York. Essas ações foram iniciadas por investidores depois da divulgação das primeiras descobertas da Operação Lava Jato. Também foi preciso contabilizar R$ 1,13 bilhão de perdas com adiantamentos a fornecedores de cascos de plataformas e R$ 931 milhões para cobrir dívidas de fornecedores com empresas subcontratadas.
Com ou sem corrupção, a política do PT prejudicou a Petrobrás e o desenvolvimento nacional. O Congresso acaba de eliminar um dos grandes erros dessa fase, aprovando uma lei para desobrigar a empresa de participar da exploração de todos os blocos do pré-sal. A estatal terá direito de preferência, mas só o exercerá quando for considerado de seu interesse. Além de remover um encargo insustentável, a nova lei destrava a participação de capitais privados, nacionais ou estrangeiros, na exploração do pré-sal, com evidente benefício para o País. Enquanto isso, será preciso levar adiante o enorme trabalho de recuperação da maior estatal brasileira.

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