Após acordo, Petrobras deverá vender ações na São Martinho

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Fonte: Valor Online

A Petrobras planeja vender em bolsa as ações do Grupo São Martinho que recebeu, em acordo assinado ontem, pela venda de sua participação de 49% na usina sucroalcooleira Nova Fronteira, em Goiás. A preços atuais de mercado, a Petrobras conseguiria pouco mais de R$ 400 milhões. O acordo assinado ontem entre as empresas é o primeiro passo para a Petrobras começar a desembarcar do setor de etanol, como parte do bilionário plano de desinvestimento da estatal. São Martinho e Petrobras eram sócias desde 2010 na Nova Fronteira, uma companhia de capital fechado. Com a decisão da estatal de vender a participação na Nova Fronteira, a São Martinho exerceu o direito de preferência sobre a fatia da sócia. No lugar de pagar em dinheiro, pagou com suas próprias ações. A estatal petroleira receberá pouco mais de 24 milhões de ações da São Martinho, que ainda serão emitidas, equivalentes a 6,59% da companhia. A transação precisa de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Embora pelo contrato assinado ontem a Petrobras não tenha nenhuma restrição de prazo para vender a posição em São Martinho, ficou acordado que a estatal e a administração da empresa trabalharão em conjunto na venda dos papéis. Ficou acertado que a São Martinho dará suporte na colocação durante um prazo de quatro anos. “Eles podem vender a qualquer momento, mas a venda tem que ser de forma estruturada”, garantiu Fábio Venturelli, CEO da São Martinho, ao Valor. A despeito do prazo para a atuação em parceria, a Petrobras já vinha conversando com bancos para definir o melhor modelo. Procurada, a Petrobras não comentou. Para o acordo, os 49% da Nova Fronteira foram avaliados em R$ 442 milhões, pois o parâmetro adotado foi a média da cotação em bolsa de São Martinho dos últimos 30 pregões. Mas, pelo valor de bolsa atual, a venda da fatia da Petrobras seria equivalente a prejuízo com a sociedade, pois em 2010, a estatal colocou R$ 420 milhões no negócio. A venda da Nova Fronteira foi uma das cinco alienações de ativos que o Tribunal de Contas da União (TCU) permitiu que a Petrobras concluísse. Na semana passada, o tribunal suspendeu o plano de desinvestimento para ajustes. A Petrobras começa a se afastar do setor de biocombustíveis oito anos após entrar no segmento, época em que o governo Lula prometia transformar o Brasil na “Arábia Saudita do etanol”. A saída da Petrobras da sociedade foi vista como uma oportunidade de elevar o valor da São Martinho, já que a usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis (GO), até então da Nova Fronteira, apresenta forte desempenho operacional. Com a usina sob seu total controle, a São Martinho teria um lucro líquido de R$ 368,4 milhões tomando com base o cenário de 30 de setembro, no acumulado em 12 meses. Dessa forma, mesmo com um aumento na quantidade de ações por causa da emissão de papéis para a Petrobras, o lucro por ação subiria 32,5%, a R$ 1,01. “Trouxemos uma usina muito geradora de resultado”, ressaltou Venturelli. Em 12 meses, a receita líquida com a totalidade do ativo sobe 13,4%, para R$ 3,6 bilhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado avança 17,5%, para R$ 1,7 bilhão. Já a dívida líquida crescerá 4,6%, para R$ 2,9 bilhões. Porém, diante do peso do resultado operacional da usina Boa Vista, a alavancagem do grupo cairia de 1,95 vez para 1,73 vez. Ainda segundo o CEO, a incorporação da Nova Fronteira traz ganhos de conhecimento. “Aprendemos muito na Nova Fronteira com a capacidade de gestão de segurança, gestão industrial. Foi um relacionamento que trouxe bastante beneficio para a Nova Fronteira e para a São Martinho”, ressaltou. O aumento da base de ações tem como efeito uma pequena diluição da fatia dos controladores, a holding LJN Participações, dos acionistas Luiz Ometto Participações, João Ometto Participações e Nelson Ometto Participações. Dessa forma, a parcela da LJN recua de 55,96% para 52,26%.

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