Brasil é mercado hesitante para carro elétrico; flex fuel ainda traz melhor custo-benefício

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Fonte: Nova Cana

No médio prazo, o carro flex continuará figurando no segmento automotivo nacional como a melhor opção de compra para o consumidor. Segundo estudo realizado pela Accenture Research, uma das maiores consultorias do mundo, o principal motivo para isso é o uso em larga escala do etanol em modelos bicombustíveis, que apresentam melhor custo-benefício em relação aos veículos elétricos e híbridos à gasolina.
No levantamento da Accenture, pesquisadores consideraram diversos aspectos que influenciam a produção e comercialização de modelos elétricos em 14 países na Ásia, Europa, América do Sul e do Norte. Foram analisados fatores tecnológicos (infraestrutura, tempo de carga e durabilidade das baterias) econômicos (preço do veículo na compra e revenda) e políticos (regulamentações e subsídios governamentais e infraestrutura de carregamento).
Em relação ao Brasil, classificado como país “hesitante” em relação à eletrificação em massa do transporte viário – juntamente com Índia e Rússia –, o documento traz a seguinte conclusão: “O mercado de veículos elétricos não existe, o número de compradores potenciais é extremamente baixo e não há infraestrutura, mesmo para aqueles ricos que poderiam comprá-los. O Brasil tende a ir na direção do etanol como alternativa futura ao diesel e à gasolina”, afirma o documento. Estimativas do UnicaData indicam que já foram vendidos aproximadamente 3.362 carros com sistema elétrico/ híbrido no País.

Para o consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Alfred Szwarc, a principal vantagem dos veículos flex em relação aos movidos à combustão ou à eletricidade é a liberdade de escolha proporcionada ao consumidor na hora do abastecimento e os inúmeros benefícios socioeconômico e ambientais advindos da utilização do biocombustível anidro (até 27% misturado ao combustível fóssil) e do hidratado (direto na bomba). “Ao optar por etanol, gasolina ou a mistura dos dois em qualquer proporção, o consumidor brasileiro tem à disposição uma tecnologia única no mundo, que só é possível em nosso país graças a disponibilidade do biocombustível e sua extensa rede de distribuição. Além de gerar quase 3 milhões de empregos (direto e indiretos) e renda direta em 1.000 municípios, a produção deste carburante de origem limpa e renovável ajuda a combater o aquecimento global”, afirma.
O especialista da Unica ressalta o potencial de redução das emissões de gases do efeito estufa com o uso do combustível “verde” em carros flex desde que os mesmos chegaram ao País, em março de 2003: até agosto de 2016, evitou-se que 370 milhões de toneladas de CO2 fossem lançadas na atmosfera.
“É preciso enfatizar que o etanol de cana emite até 90% menos CO2 se comparado à gasolina durante todo o seu ciclo de vida, do canavial ao escapamento, o que pode não ocorrer com veículos elétricos. Embora frequentemente associados a emissão zero, é preciso observar a origem da energia que abastecerá as baterias destes modelos. Se for gerada de fontes fósseis, continuará havendo liberação de poluentes na atmosfera”, alerta Alfred.
Existem mais de 25 milhões de automóveis flex no Brasil, o que representa aproximadamente 70% da frota leve. São 19 montadoras produzindo cerca de 600 versões de dezenas de modelos para o mercado nacional. Outro diferencial é que a tecnologia também está presente no segmento duas rodas. Mais de 4 milhões de motocicletas rodam com o mesmo sistema nas cidades brasileiras.
Relatório
De acordo com o relatório lançado pela Accenture em 2016, China e os EUA são os que têm o mercado mais desenvolvido para modelos elétricos e híbridos. Entre os países que apresentam potencial elevado de crescimento até 2020, aparecem Canadá, França, Alemanha, Japão, Holanda, Noruega, Coreia do Sul, Suécia e Reino Unido. Atualmente, os carros elétricos e híbridos representam 0,1% da frota mundial.

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