Brasil enfrenta mazelas internas além de incertezas globais, com a alta do petróleo e o tarifaço

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O Estado de São Paulo

Por Celso Ming

Vem aí nova tarifa em cima do tarifaço. Afora isso, o Brasil e o mundo enfrentam nova escalada dos preços do petróleo (e da energia), não só pelo fechamento do Estreito de Ormuz, mas também pelas ameaças do grupo dos Houthis do Iêmen (financiado pelo Irã) de fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho (e o Canal de Suez) ao Oceano Índico, vital para o escoamento do petróleo da Arábia Saudita. Nesta quarta-feira, as cotações do tipo Brent chegaram a ultrapassar os US$ 95 por barril.

O tarifaço (Imposto de Importação) de 25% sobre as exportações do Brasil para os Estados Unidos já entrou em vigor. Nesta sexta-feira, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluirá as investigações sobre uma lista de 60 países que, na opinião dos seus dirigentes, importam bens e serviços produzidos por trabalho forçado. E o Brasil está na lista dos que estarão sujeitos a essa nova paulada que substitui a anterior, de 10%.

A alegação do governo Trump é a de que o emprego de mão de obra que não goza de plenos direitos trabalhistas configura competição desleal com as empresas dos Estados Unidos, “que seguem as regras”.

Como já comentado por esta Coluna em edições anteriores, o objetivo dos Estados Unidos não é reequilibrar o comércio exterior, mas arrancar concessões, inclusive do Brasil, para tentar recuperar a hegemonia econômica.

O governo Lula ameaçou enfrentar a imposição dessas tarifas com a aplicação da Lei de Reciprocidade, mas decidiu não retaliar, no que obrou com sabedoria, embora essa decisão tenha sido tomada mais por motivos eleitoreiros (para não favorecer o candidato adversário) do que por questões técnicas.

Mas ainda não tem estratégia para enfrentar a guerra tarifária nem clareza sobre as concessões que está disposto a fazer para reduzir o estrago.

Em parte, a nova alta do petróleo beneficia o Brasil, na medida em que valoriza as exportações de petróleo e aumenta as receitas públicas com royalties e contribuições especiais.

Mas enfrenta o aprofundamento das incertezas na economia mundial: é mais inflação, mais ruptura dos canais de produção e distribuição, mais impacto sobre o PIB global. Tudo isso funciona como correia de transmissão para novos custos para o sistema produtivo.

A esse quadro global de incertezas crescentes, o Brasil ainda enfrenta suas próprias mazelas: rombo crescente, dívida pública em rápida expansão, inflação recorrente, juros na lua e uma campanha eleitoral polarizada, sem que nenhuma das partes esteja disposta a discutir soluções para esses problemas.

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